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O que a gente aprende como teoria nem sempre se aplica na prática. Será mesmo?

O que os professores nos ensinam nas disciplinas de Administração, Contabilidade, Economia, Finanças e afins é sempre algo muito parecido. Toda empresa precisa ser lucrativa, pode ter momentos de baixa, mas no longo prazo deverá sempre apresentar resultados sustentáveis. O que é longo prazo? O que são resultados sustentátiveis? De antemão, podemos dizer que um período recessivo é sempre acompanhado de um período de recuperação e vice-versa. Nada sobe eternamente, do mesmo jeito que nada cai indefinidamente (exceções sempre existem e sempre vão existir).

No entanto, um conceito que devemos sempre analisar é de que uma empresa saudável tem geração de caixa positiva e apresenta lucros de forma recorrente.

E quando isso não acontece? Existem casos de empresas que não dão lucro, nunca deram lucro e talvez nunca darão. Porém, até que a racionalidade prevaleça, teorias são criadas para justificar o injustificável. Bolhas são criadas e estouradas de tempos em tempos.

Para não perdermos o foco, vou apresentar o caso de uma empresa real, que apresenta prejuízos constantes nos últimos cinco anos, em milhares de Reais.

2015 – R$82,5

2016 – R$283,0

2017 – R$1.660,0

2018 – R$644,8

2019 – R$565,8

Essa empresa não está em recuperação judicial, não tem qualquer problema de crédito e no entanto, mesmo apresentando prejuízos constantes, ainda não quebrou.

As receitas caíram ao longo dos cinco anos anteriores, porém ainda é um faturamento bem relevante. Como explicar?

Vários são os motivos e aqui, especificamente nesse caso, vou mostrar uma situação que os livros não ensinam mas que é super comum na vida real.

Essa empresa faz parte de um grupo econômico maior, de forte atuação global. Os números aqui apresentados são da parcela correspondente ao Brasil. E com certeza está contribuindo com os números globais de sua controladora. Esse é o motivo que explica uma empresa deficitária não estar em processo de recuperação judicial, com crédito na praça. O acionista controlador “banca” a operação. Em alguns casos esse resultado negativo é baseado em juros e despesas financeiras vinculadas a empréstimos com a própria matriz; compra e venda de insumos ou mesmo tecnologia da matriz ou quaisquer outras operações que complementem o negócio global.

Obviamente, toda operação que vise a criação de prejuízos fictícios com intuito de burlar o fisco deverá ser evitada e é sempre passível de questionamentos por parte da Receita Federal.

No entanto, existe sempre um espaço para transferir resultados para a matriz (independente de qual país esteja) que não necessariamente passam pelo lucro distribuído através de dividendos.

Por isso, que é comum empresas apresentarem prejuízos, com crédito disponível por bancos, com operações rentáveis, do ponto de vista operacional (vendas estáveis, com custos condizentes e despesas controladas).

Isso invalida os conceitos acadêmicos? De jeito nenhum. Lucro sempre será bem vindo. Apenas em qual entidade o lucro deve ficar. Nem sempre é na empresa que estamos analisando. Mas com certeza deverá ser na controladora ou holding, que terá ações em bolsa de valores de mercados maduros.

Prof. Eduardo Silva