Estrela
- Principais riscos que a própria Companhia enxerga e assume

Principais riscos da Companhia

Situação Político Econômica do Brasil:

O consumo de brinquedos é altamente dependente da renda disponível. Por não ser considerado um produto de primeira necessidade, seu consumo aumenta na medida em que as famílias tenham uma maior disponibilidade de recursos e já tenham atendido necessidades básicas anteriores. O bom desempenho da economia tem possibilitado que novos consumidores entrem no mercado de consumo de brinquedos, principalmente consumidores considerados como pertencentes às classes sociais C e D, em especial os moradores das regiões Norte e Nordeste do país.

Uma piora nos indicadores econômicos, na geração de novos empregos ou a retomada da inflação, são fatores que podem representar risco para o crescimento do mercado brasileiro de brinquedos e para o crescimento do faturamento da empresa.

Política Cambial

Nossa empresa é uma manufatura e depende significativamente da produção nacional para realizar seus resultados. Embora a Companhia tenha iniciado a importação de brinquedos da China como forma de se manter competitiva no mercado, a taxa de cambio é um grande fator de risco para a empresa. A valorização do real permite que os brinquedos importados da China entrem no Brasil por um custo muito baixo, promovendo um downtrading no setor com conseqüente perda de rentabilidade.

O real valorizado possibilita também o aparecimento de importadores com pouca tradição no mercado, que se aproveitam do baixo preço do produto chinês e criam uma grande oferta de produtos, aumentando a concorrência no ponto de venda e uma verdadeira guerra de preços baixos. Estes importadores tem pouca ou quase nenhuma estrutura administrativa, não conhecem o mercado e quando erram na importação ( por preço ou quantidade ), não tem outra alternativa a não ser dar grandes descontos para conseguirem vender os seus estoques. Outra conseqüência de risco para a empresa com a política do real valorizado é a redução ou até eliminação da capacidade de exportar brinquedos produzidos no Brasil.

Política de Comércio Exterior

O Brasil tem hoje uma alíquota de importação de 35% para os produtos importados da China. A manutenção desta alíquota depende da aprovação até o final de 2011, por parte de todos os países membros do Mercosul. Caso não haja consenso de todos os membros, o Brasil será obrigado a reduzir esta alíquota para 20%, o que irá dar mais competitividade aos produtos importados, aumentando nosso risco de mercado.

Nível de Crédito no País

A Companhia depende da captação de empréstimos de curto prazo para a viabilização de suas atividades. Caso exista no país um cenário de restrição de linhas de crédito ou se elas tiverem um aumento significativo de custo, a companhia pode ter dificuldade para realizar seu programa de importação de brinquedos da China e de viabilizar o capital de giro necessário para a produção local.

Entrada de Concorrentes Internacionais

Com a melhoria do mercado interno brasileiro, empresas internacionais de brinquedos, que hoje tem seus produtos no Brasil através de distribuidores, podem tomar a decisão de instalar operações próprias de importação e comercialização de seus produtos.

A entrada destas empresas pode significar um risco para nós, pois elas têm uma grande capacidade de investimento e podem perder dinheiro no mercado para conseguirem estabelecer suas marcas no país. Este aumento de concorrência reflete um risco de perda de participação de mercado e de margens.

Concentração do Varejo

Temos assistido nos últimos anos um processo de concentração das empresas varejistas. Esta concentração eleva o risco de termos maior verbas e descontos sendo solicitado por estes varejistas, colocando em risco nossas margens de lucratividade. Varejistas mais concentrados e maiores também aumentam sua capacidade de importar brinquedos diretos da China, reduzindo nossa verba de compra e nossos espaços no ponto de venda.

Passivo Tributário

A companhia acumulou um grande passivo tributário que em seu grande volume está consolidado no último programa de refinanciamento de impostos do governo federal ( REFIS ) A companhia acredita na sua capacidade de gerar caixa suficiente para o pagamento dos impostos correntes e os do passado, mas caso isto não venha a ocorrer, uma possível cobrança judicial destes impostos pode trazer dificuldades de continuidade para a empresa. O mesmo cenário ocorrer em relação ao ICMS, sendo que a companhia já liquidou valor expressivo de sua dívida passada de ICMS com o Estado de São Paulo. Estamos também em processo de negociação/pagamento deste passivo estadual, mas uma cobrança mais drástica por parte do Estado de São Paulo pode também colocar em risco a nossa continuidade.

A Companhia está no modelo antigo de divisão de suas ações sendo que as ordinárias, com direito a voto representam 1/3 do capital e as ações preferências representam 2/3.

O atual controlador tem 94% das ações ordinárias, podendo eleger os membros do Conselho de Administração e de tomar as decisões para definir o modelo operacional da companhia. Tendo em vista o elevado nível de empréstimos de curto prazo que a companhia arrecada, uma possível troca de controlador pode afetar a capacidade de levantar crédito de curto prazo.

A baixa liquidez dos papéis da companhia pode representar um risco ao investidor de não conseguir vender seus papéis pelo preço ou na época desejada.

Por ter uma baixa liquidez, o valor das ações pode sofrer grandes variações por motivos não relacionados ao nosso desempenho. O grande prejuízo fiscal acumulado não possibilita, em curto prazo, a possibilidade de o acionista receber dividendos com suas ações.

Com relação aos fornecedores locais, derivados de plástico e de papel são os insumos mais importantes para nossa empresa.

Instabilidade política internacional, política cambial e qualquer outro fator que possa determinar um aumento no preço do barril de petróleo, são fatores de risco para o aumento do preço de nossas matérias primas plásticos. O crescimento do mercado interno pode levar à uma escassez de algumas matérias primas, colocando em risco nossa capacidade de abastecer o mercado adequadamente, assim como sermos obrigados a aceitar aumentos de preços de insumos, com risco na perda de margem de lucratividade.

Com relação aos produtos importados da China, os fatores de risco são:

- Mudança na relação cambial do real frente ao dólar americano

- Mudança na relação cambial da moeda chinesa frente ao dólar americano

- Aumento do salário na China

- Redução dos benefícios fiscais do governo chinês às empresas exportadoras

- Aumento da carga tributária sobre a produção chinesa

- Aumento das barreiras de entrada de produtos chineses no Brasil

Os fatores acima apresentam um risco do aumento de custos dos produtos que hoje importamos da China e que nos levariam a aumentar o preço ao consumidor brasileiro, com risco de perda de volume.

Vamos dividir a análise de risco entre clientes varejistas e consumidores.

Varejo e Atacado: os riscos aqui são de um processo de concentração destas organizações, aumentando seu poder de compra e conseqüentemente aumentando seus pleitos para melhores condições comerciais, o que impacta na nossa margem de lucratividade. Esta concentração também aumenta o risco da importação direta de brinquedos da China e estes clientes passam a ser também nossos concorrentes.

Consumidor final: Não vemos fatores de risco em possíveis mudanças de comportamento de compra de nossos consumidores finais. O risco apresenta-se em sua capacidade de comprar, ou seja, no seu poder aquisitivo. Caso a economia do país deixe de apresentar bons indicadores, com efeitos no aumento do desemprego e na perda de poder aquisitivo, o consumidor pode consumir menos brinquedos, colocando em risco nossos volumes.

Atuamos no setor de produção, importação e comercialização de brinquedos, para o mercado brasileiro. Este setor, como a maioria dos setores de consumo de massa, apresentam riscos em relação às políticas nacionais, já descriminadas no item a com relação a empresa. Desempenho da política econômica, política cambial, fiscal, trabalhista são fatores de risco para o nosso negócio.

Este setor é mão de obra intensiva e qualquer alteração da lei que venha aumentar os encargos sociais sobre o trabalhador terão um grande impacto sobre os custos dos produtos produzidos.

A chegada de concorrentes internacionais e a concentração do varejo também são fatores que podem levar a uma diminuição de nossa competitividade e reduzir o faturamento e rentabilidade da empresa.

Por trabalharmos com crianças, o setor de brinquedos, em especial os produzidos no Brasil, já se adaptou às normas de qualidade e segurança do INMETRO.

Tendo em vista o atual rigor das normas brasileiras, não esperamos uma mudança significativa desta norma. A ampliação destes controles para os produtos importados também não deve oferecer riscos à companhia, tendo em vista que nossa preocupação com o tema supera as normas governamentais. Mesmo que no futuro venha existir uma restrição a algum tipo de insumo, a companhia não prevê dificuldades em sua adaptação, tendo em vista nosso histórico em relação a este tema. Existe a possibilidade da publicidade para produtos infantis sofrer algum tipo de restrição por parte do governo federal. Caso isto venha a ocorrer, perderemos parte de nossa capacidade de divulgar nossos novos produtos aos consumidores, correndo o risco de deixar de encantá-los e conseguir a venda.