Fibria
- Principais riscos que a própria Companhia enxerga e assume

Principais riscos da Companhia

A queda acentuada ou prolongada no preço de mercado da commodity (celulose) pode afetar adversamente a situação financeira, os resultados operacionais e a cotação das ações da Companhia.

Os preços da celulose são determinados por condições mundiais de oferta, demanda e crescimento econômico, tanto mundial quanto das regiões de maior concentração de vendas da companhia. Atualmente, não estão disponíveis mecanismos de hedge em volumes significativos para mitigar o risco de variação de preço de celulose descrito acima.

Sendo assim, a Companhia está exposta às oscilações do preço do seu produto, sendo que uma queda acentuada ou prolongada do preço da celulose pode afetar as receitas (independentemente da moeda), EBITDA e o Fluxo de Caixa Livre da Companhia.

A instabilidade das taxas de câmbio pode afetar adversamente a situação financeira, os resultados operacionais e a cotação das ações da Companhia.

Isto se deve ao fato de que parte significativa das receitas da Companhia é altamente atrelada ao dólar dos EUA (hoje cerca de 92%) e grande parte dos custos da Companhia encontram-se atrelados ao real brasileiro, a Companhia pode ser afetada adversamente por futuras desvalorizações do real em relação ao dólar dos EUA.

Os custos de produção e despesas operacionais são em grande parte denominados em reais e, geralmente, aumentam, quando expressos em dólares dos EUA, como resultado da valorização da moeda local. As disponibilidades e aplicações financeiras são realizadas principalmente em reais.

As desvalorizações do real em relação ao dólar dos EUA também criam pressões inflacionárias adicionais, no Brasil, que podem afetar a Companhia negativamente. Geralmente, elas restringem o acesso aos mercados financeiros internacionais e podem exigir intervenção governamental, incluindo políticas governamentais recessivas. A oscilação do câmbio internacional também pode causar impacto sobre os resultados dos instrumentos derivativos utilizados pela Companhia em conformidade com sua estratégia de hedging.

A oscilação do câmbio internacional causa, ainda, variações na posição de endividamento da Companhia já que 93% da sua dívida (incluindo swap de moeda) era indexada a moeda estrangeira em 31 de dezembro de 2012.

Em 2010, o Real valorizou-se 4,5% frente ao Dólar, como resultado de um aumento nos investimentos estrangeiros diretos no Brasil. Até agosto de 2011, o Real manteve essa tendência de valorização. Porém, em setembro de 2011, a piora da crise na zona do Euro causou uma súbita desvalorização do Real sobre o Dólar. Como resultado, o Real desvalorizou-se 11,2% frente ao Dólar em 2011. Em 2012, o Banco Central do Brasil interveio várias vezes para proteger o Real da supervalorização. Consequentemente, em 2012 o Real desvalorizou-se 8,2% frente ao Dólar.

Resultados desfavoráveis em litígios pendentes podem afetar negativamente nossos resultados operacionais, fluxos de caixa e situação financeira.

A Companhia está envolvida em ações fiscais, civis e trabalhistas que envolvem indenizações monetárias significativas. Se ocorrerem decisões desfavoráveis em um ou mais destes processos, a Companhia pode ser obrigada a pagar valores substanciais que podem afetar material e adversamente os resultados das operações, fluxos de caixa e situação financeira da Companhia.

Dois autos de infração no valor de R$1,5 bilhão foram emitidos pela Receita Federal do Brasil contra a Companhia com relação ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ou IRPJ, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, ou CSLL, sobre o lucro decorrente de um ajuste do capital para investimento em empresas estrangeiras controladas durante o período de 2002 a 2007.

Consideramos a expectativa de perda desse auto de infração como possível e não constituímos nenhuma provisão com relação a ele. Em dezembro de 2012, outro auto de infração no valor de R$1,7 bilhão foi emitido pela Receita Federal do Brasil contra a Companhia com relação ao IRPJ e à CSLL resultantes de um contrato assinado entre a Fibria (naquela ocasião, VCP) e a International Paper, cujo objeto era a troca de ativos industriais e de florestamento entre as duas companhias. Em 9 de janeiro de 2013, a Companhia interpôs um recurso junto à Receita Federal. Com base nos assessores jurídicos internos e externos da Companhia, a possibilidade de perda é possível e não foi constituída nenhuma provisão com relação a esse auto de infração. Adicionalmente, estamos atualmente sendo auditados pelo Fisco com relação a nossa estrutura internacional, nossas operações de fusão e aquisição e nossa utilização de créditos fiscais relativos a nossas matérias-primas.

Caso decisões desfavoráveis sejam proferidas em uma ou mais dessas ações judiciais, talvez sejamos obrigados a pagar quantias substanciais, o que poderia afetar de forma negativa e substancial nossos resultados operacionais, nossos fluxos de caixa e nossa condição financeira.

Os contratos de financiamento da Companhia incluem restrições importantes (“covenants”). Qualquer inadimplência gerada a partir de violação destes contratos pode ter efeitos materiais adversos sobre a Companhia.

A Companhia é contraparte em diversos contratos de financiamento, que exigem a manutenção de certos índices financeiros, ou o cumprimento de outras cláusulas específicas. Além disso, nossos bonds exigem que passemos por incurrence tests que, caso não sejam cumpridos, podem impor restrições. Estes índices financeiros e contratos incluem:

• limitações na constituição de endividamentos adicionais;

• limitações na realização de determinados pagamentos restritos;

• limitações à realização de certas transações com afiliadas;

• limitações a fusões ou consolidações com terceiro ou venda ou qualquer alienação de todo ou parte substancial de nossos ativos;

• a manutenção de um nível máximo do indicador dívida líquida sobre EBITDA (Lucro antes do pagamento de juros, impostos, depreciação e amortização); e

• a manutenção de índices mínimos da cobertura do serviço da dívida.

Qualquer inadimplência dos termos dos contratos de financiamento, que não for aprovada pelos credores afetados, pode resultar em uma decisão por parte destes credores de antecipar o saldo em aberto da dívida relevante. Isto, também, pode resultar na execução das garantias e na aceleração do vencimento das dívidas de outros contratos de financiamento em virtude das provisões de cláusulas de inadimplência e aceleração cruzada (cross default and cross acceleration). Os ativos e fluxos de caixa da Companhia podem ser insuficientes para pagar o saldo em aberto total destes contratos de financiamento, seja nas datas de vencimento agendadas ou na antecipação dos pagamentos após um evento de inadimplência. Se tais eventos ocorrerem, a situação financeira da Companhia poderá ser afetada adversamente.

O endividamento consolidado da Companhia vai requerer que parte significativa de seu fluxo de caixa seja utilizada para o pagamento de principal e juros de dívidas.

A Companhia tem um nível de endividamento significativo. A Companhia, em 2009, aumentou seus empréstimos para financiar a aquisição da Aracruz e para refinanciar e, em alguns casos, pagar antecipadamente os endividamentos incorridos pela Aracruz, em 2008, em razão das perdas relacionadas ao uso de instrumentos financeiros derivativos.

Em 31 de dezembro de 2012, nosso endividamento total consolidado constituía R$10.768 milhões, dos quais 89% representava dívida de longo prazo. Se a Companhia não for capaz de refinanciar seu endividamento devido entre os próximos 12 e 24 meses, isso pode afetar negativamente os seus resultados operacionais, fluxos de caixa e situação financeira.

Adicionalmente, o nível do endividamento pode causar alguns riscos aos acionistas, tais como:

• o pagamento do serviço das dívidas pode dificultar o pagamento de proventos aos investidores;

• o investimento na produção de celulose requer uma quantidade substancial de recursos para formação de florestas; ampliação da capacidade de produção; infraestrutura e preservação do meio ambiente. Esta necessidade de capital significativo é uma importante fonte de risco financeiro para a indústria de celulose. A capacidade da Companhia de obter qualquer financiamento futuro necessário para capital de giro, dispêndios de capital, requisitos do serviço da dívida ou para outros fins pode ser limitado;

• uma parte substancial do fluxo de caixa das operações da Companhia deve ser destinada ao pagamento de principal e juros sobre o endividamento e podem não estar disponíveis para outros fins;

• o nível de endividamento da Companhia pode limitar sua flexibilidade no planejamento, ou reação à mudanças no nosso negócio, e

• o nível de endividamento da Companhia pode torná-la mais vulnerável no caso de uma desaceleração em seus negócios.

Os negócios da Companhia podem sofrer impactos negativos pelos riscos relacionados às atividades de hedging.

A Companhia pode efetuar transações de hedging de moeda e juros, em conformidade com a sua política de gerenciamento de riscos de mercado. Operações de hedge visam (1) proteger a receita da Companhia (que é principalmente expresso em dólar dos EUA) quando convertidos para Reais (nossa moeda funcional) e (2) converter parte de sua dívida denominada em Reais para dólar dos EUA, eliminando em seguida, o descasamento de moedas de nossa receita e dívida.

A Companhia contabiliza seus instrumentos derivativos utilizando o método contábil de marcação a mercado (mark-to-market), em conformidade com o IFRS (International Financial Reporting Standards). O valor de marcação a mercado desses instrumentos pode aumentar ou diminuir devido a flutuações nas taxas de câmbio antes da sua data de liquidação. Como resultado, podemos incorrer em perdas não realizadas devido aos riscos desses fatores de mercado.

Estas oscilações podem resultar de alterações nas condições econômicas, sentimentos dos investidores, políticas monetárias e fiscais e na liquidez dos mercados mundiais, eventos políticos internacionais e regionais e atos de guerra ou terrorismo.

A redução na nossa classificação de risco de crédito pode afetar de modo adverso a disponibilidade de novos financiamentos e aumentar nosso custo de capital.

Em 2006 e 2007, as agências de classificação de risco Fitch Ratings Inc., ou Fitch, Moody’s Investor Service, Inc., ou Moody’s, e Standard & Poor’s Ratings Services, ou S&P, atribuíram uma classificação de grau de investimento à nossa dívida em moeda estrangeira de acordo com as leis estrangeiras, reduzindo nosso custo médio de capital. Entretanto, no final de 2008 e início de 2009, Fitch, Moody’s e S&P reduziram nossa classificação para BB+/Negativa, Ba1/Negativa e BB/Negativa, respectivamente. No dia 13 de outubro de 2009, a Fitch reduziu ainda mais nossa classificação para BB/Estável. Após o anúncio da venda da Conpacel e da KSR em dezembro de 2010, nossa perspectiva de classificação foi alterada de Estável para Positiva pela Fitch e pela Moody’s. Em março de 2011, a Fitch elevou nossa classificação para BB+/Estável. Em novembro e dezembro de 2011, respectivamente, a S&P e a Moody’s revisaram a classificação, que passou de positiva para estável devido a um processo mais lento de desalavancagem. Em julho, a S&P elevou a perspectiva da Fibria de estável para positiva, desde que a Companhia mantivesse seu foco na redução da dívida no curto prazo, mantendo a liquidez e a coerência com seu programa de investimentos e seu fluxo de caixa. Em fevereiro de 2013, a Fitch mudou a perspectiva do rating da Fibria de estável para positiva especialmente devido as ações tomadas pela Companhia para reduzir o endividamento em 2012 e a expectativa de que a Companhia diminuirá sua dívida em 2013. Mais recentemente, em março de 2013, a S&P elevou o rating da Fibria de 'BB/Positivo' para 'BB+' com perspectiva estável. De acordo com a S&P, o upgrade reflete a expectativa da agência em relação a continuidade na trajetória de redução do endividamento da Companhia seja através da geração de caixa livre, excesso de liquidez e eventualmente recursos provenientes da venda de ativos não estratégicos. Com a elevação do rating para 'BB+/Estável', a Fibria fica apenas um notch abaixo do grau de investimento pelas três agências de rating (S&P, Fitch e Moody’s).

Assim, as classificações atribuídas atualmente à nossa dívida em moeda estrangeira de acordo com as leis estrangeiras são BB+/Positivo pela Fitch, Ba1/Estável pela Moody’s e BB+/Estável pela S&P. Caso nossas classificações sejam rebaixadas pelas agências de classificação de risco devido a qualquer fator externo, nosso próprio desempenho operacional e/ou níveis de dívida elevados, nosso custo de capital provavelmente aumentaria. Qualquer rebaixamento também pode afetar negativamente nossos resultados operacionais e financeiros e a disponibilidade de financiamentos futuros.

As flutuações nas taxas de juros podem aumentar o custo das dívidas e afetar negativamente o desempenho financeiro geral da Companhia.

Nossos resultados financeiros são afetados por mudanças nas taxas de juros, como a Taxa Interbancária do Mercado de Londres (LIBOR), o Certificado de Depósito Interbancário do Brasil (CDI) e a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). A taxa CDI apresentou variação significativa no passado em resposta à expansão ou à retração da economia brasileira, ao controle da inflação, às políticas governamentais do país e a outros fatores. A taxa CDI ficou em 6,90% ao ano, 10,87% ao ano e 10,64% ao ano em 31 de dezembro de 2012, 2011 e 2010, respectivamente. A TJLP foi reduzida de 6,0% ao ano para 5,5%  ao ano em 27 de junho de 2012 e para 5,0% ao ano em 31 de dezembro de 2012. Desde junho de 2009, quando chegou a 6,0% ao ano, a TJLP não sofreu alterações. Um aumento significativo nas taxas de juros, principalmente na TJLP ou na LIBOR, teria um efeito negativo substancial sobre nossas despesas financeiras já que grande parte de nossa dívida (empréstimos do BNDES e Pré-Pagamento de Exportação) está indexada a estas taxas. Por outro lado, uma redução significativa na taxa CDI pode afetar negativamente a receita financeira gerada com nossas atividades de investimento, já que uma parte relevante de nosso capital vem do mercado monetário Brasileiro, relacionado ao CDI. A fim de mitigar esses riscos e nos beneficiarmos das taxas de juros mais baixas, contratamos vários swaps de LIBOR e TJLP a taxas pré-fixadas.

A Companhia pode ser afetada material e adversamente se as operações da estrutura de transporte, armazenamento, distribuição e portos que possui, ou utiliza, passarem por interrupções significativas.

As operações da Companhia dependem da operação ininterrupta da estrutura de transporte, armazenamento, distribuição e portos que possui ou utiliza. As operações das instalações que a Companhia possui ou que utiliza para transportar, armazenar, distribuir e exportar seus produtos podem ser parcial ou totalmente interrompidas, temporária ou permanentemente, como consequência de inúmeras circunstâncias que não estão no controle da Companhia, tais como:

• eventos catastróficos;

• greves ou outras dificuldades trabalhistas;

• dificuldades nos meios de transporte; e

• suspensão ou encerramento das concessões dadas à Fibria, aos seus sócios comerciais ou empreiteiros independentes relacionadas ao direito de prestação de um serviço específico.

Qualquer interrupção significativa nestas instalações, ou a incapacidade de transportar os produtos destas instalações (inclusive através de exportações), aos clientes da Companhia causaria impactos materiais adversos sobre a empresa.

Novos projetos de expansão esperados para os próximos anos podem afetar adversamente a competitividade da Companhia.

Até 2015 é esperado que alguns participantes da indústria em que opera a Companhia instalem novas unidades de produção de celulose na América do Sul. Essas novas capacidades, se e quando concluídas, podem resultar em uma possível perda de participação de mercado pela Companhia, redução dos preços e escassez e, como consequência, aumento de preço de matériasprimas. Portanto, os resultados de operações e condição financeira da Companhia poderão ser adversamente afetados.

A Companhia pode não ser capaz de ajustar o volume de produção em tempo hábil ou custo-eficiente em resposta a mudanças na demanda.

Se a Companhia tiver que operar com capacidade ociosa significativa durante os períodos de demanda fraca, pode estar exposta a maior custo de produção, dado que uma parcela significativa de sua estrutura de custos é fixa no curto prazo devido à alta intensidade de capital das operações de celulose. Além disso, os esforços para reduzir os custos durante os períodos de fraca demanda podem ser limitados pela regulamentação do trabalho, ou contratos de trabalho e acordos governamentais prévios. Por outro lado, durante os períodos de alta demanda, a nossa capacidade de aumentar rapidamente a capacidade de produção é limitada, o que poderia tornar-nos incapazes de satisfazer a demanda pelos nossos produtos. Se não formos capazes de satisfazer a demanda excedente de clientes, podemos perder participação de mercado.

Impairment do ágio ou outros ativos intangíveis podem afetar de forma adversa a condição financeira e resultados operacionais.

Como resultado da aquisição da Aracruz, a Companhia reconheceu R$4.231 milhões de ágio e contabilizou vários ativos intangíveis da Aracruz (incluindo banco de dados, patentes, fornecedor de produtos químicos e relações com fornecedores de outros) com o valor justo de R$779 milhões na data de aquisição (R$447 milhões em 31 de dezembro de 2012 e R$530 milhões em 31 de dezembro de 2011). Nos termos do IFRS, o ágio e ativos intangíveis com vida útil indefinida não são amortizados mas são testados quanto ao impairment anualmente ou mais frequentemente se um evento ou circunstância que indicar uma perda por impairment possa ter ocorrido. Outros ativos intangíveis com uma vida finita são amortizados numa base linear durante sua vida útil estimada e revisados para fins de impairment sempre que houver uma indicação. Em 31 de dezembro de 2012, seguindo a política contábil, a Companhia efetuou o seu teste de impairment anual das unidades geradoras de caixa (CGU), ao qual o ágio é alocado (Aracruz). Além disso, como exigido pela IAS 36, quando o valor contábil dos ativos líquidos da Companhia for superior à sua capitalização de mercado, uma análise formal de impairment de ativos de longa duração deve ser realizada. Como resultado, a Companhia realizou uma análise de imparidade dos ativos de longo prazo das Unidades Jacareí - SP e Três Lagoas - MS. O teste de recuperabilidade não resultou na necessidade de reconhecer qualquer impairment do ágio e ativos fixos.

Qualquer alteração no valor dos principais pressupostos utilizados nos testes de impairment resultam em dotações para imparidade no futuro, que podem ser significativas, ter um efeito adverso sobre os resultados operacionais e condição financeira da Companhia.

As condições da economia e da política brasileiras e a percepção dessas condições no mercado internacional impactam diretamente nos nossos negócios e o nosso acesso ao mercado de capitais e ao mercado de dívida internacional e pode afetar adversamente os resultados de nossas operações e condições financeiras.

Nossas operações são conduzidas no Brasil, mas a maior parte de nossa celulose é vendida a clientes internacionais. Dessa forma, nossa situação financeira e nossos resultados operacionais dependem em parte das condições econômicas do Brasil. O produto interno bruto (PIB) do Brasil, em reais, aumentou em 7,5% em 2010, 2,7% em 2011 e 1,6% em 2012, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE, a agência de estatísticas oficial brasileira. Alguns pontos que causam preocupação são o custo do capital humano, o custo de propriedades (aluguel ou compra) e outras necessidades locais. No entanto, os desdobramentos futuros na economia brasileira poderão afetar as taxas de crescimento do Brasil e, consequentemente, esses produtos. Como resultado, esses desdobramentos podem prejudicar nossas estratégias comerciais, nossos resultados operacionais ou nossa situação financeira. O governo brasileiro busca restringir condições incomuns de mercado, como os preços do fornecimento, especulações anormais e as taxas de câmbio, frequentemente intervindo na economia do país e, ocasionalmente, realiza mudanças significativas em suas políticas e regulamentações. Nossos negócios, nossa situação financeira e nossos resultados operacionais poderão ser afetados negativamente por  mudanças em políticas governamentais, bem como em fatores econômicos em geral, incluindo:

* flutuações da moeda;

* taxas de juros;

* liquidez dos mercados domésticos de capitais e de empréstimos;

* disponibilidade de mão de obra qualificada;

* políticas que afetam a infraestrutura logística do Brasil;

* política fiscal;

* políticas de controle cambial;

* outros desdobramentos políticos, diplomáticos, sociais e econômicos no Brasil ou que afetem o país; e

* inflação.

Historicamente, o Brasil vivenciou altas taxas de inflação. A inflação, bem como os esforços do governo para combatê-la, teve efeitos negativos sobre a economia brasileira, principalmente antes de 1995. As taxas de inflação ficaram em 5,9% em 2010, 6,5% em 2011 e 5,8% em 2012, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, ou IPCA. Nossos custos de caixa e despesas operacionais são substancialmente denominados em Reais e tendem a aumentar com a inflação brasileira, pois nossos fornecedores e prestadores de serviços geralmente aumentam os preços para refletir a desvalorização da moeda. Caso a taxa de inflação aumente mais rapidamente que qualquer outra taxa de valorização do Dólar, então, como são expressas em Dólares, nossas despesas operacionais poderão aumentar. A inflação, as medidas para combatê-la e a especulação pública sobre possíveis medidas adicionais também poderão contribuir de maneira relevante para a incerteza econômica no Brasil e, dessa forma, enfraquecer a confiança do investidor no país, afetando, portanto, nossa capacidade de acessar os mercados de capitais internacionais.

Historicamente, o cenário político do país influenciou o desempenho da economia brasileira e as crises políticas afetaram a confiança dos investidores e do público em geral, o que resultou na desaceleração econômica e elevou a volatilidade de valores mobiliários emitidos no exterior por companhias brasileiras. Os desdobramentos futuros nas políticas do governo brasileiro e/ou a incerteza a respeito de quando e se tais políticas e regulamentações poderão ser implementadas, fatores que estão fora de nosso controle, podem ter um efeito negativo substancial sobre a Companhia.

Se a Companhia for incapaz de administrar os problemas e riscos em potencial relacionados a aquisições e alianças, seus negócios e perspectivas de crescimento podem ser afetados. Alguns dos concorrentes da Fibria podem estar mais bem posicionados para adquirir outros negócios de celulose e papel.

A Companhia pode, como parte de sua estratégia comercial, adquirir outros negócios no Brasil, ou em outros países, ou firmar alianças. A administração da Fibria não consegue prever se, ou quando ocorrerão, quaisquer aquisições ou alianças em potencial, ou a probabilidade de conclusão de uma transação material em termos e condições favoráveis. A capacidade da Companhia de continuar a ampliar com êxito, através de aquisições ou alianças, depende de diversos fatores, incluindo sua habilidade de identificar aquisições e negociar, financiar e concluir transações. Mesmo se a Companhia concluir aquisições futuras:

• pode falhar ao selecionar os melhores sócios ou ao planejar e administrar qualquer estratégia de aliança de modo eficaz;

• as aquisições podem aumentar seus gastos;

• a atenção da administração pode ser desviada de outras preocupações do negócio; e

• pode perder os principais funcionários da empresa adquirida.

Uma falha ao integrar novos negócios, ou administrar novas alianças com êxito, pode afetar adversamente o desempenho comercial e financeiro da Companhia. Além disso, o setor mundial de celulose e papel está passando por um momento de consolidação e muitas empresas competem por oportunidades de aquisições e alianças neste setor. Alguns dos concorrentes da Companhia têm mais recursos, dentre eles financeiros, que a Fibria. Isto pode reduzir a probabilidade de sucesso da Companhia ao concluir aquisições e alianças necessárias à ampliação de seu negócio. Além disso, qualquer grande aquisição pode estar sujeita a aprovação regulamentar.

A Companhia pode não ter sucesso ao obter as aprovações regulamentares necessárias a tempo ou pode não obtê-las.

A cobertura de seguro da Companhia pode ser insuficiente para cobrir suas perdas, principalmente em caso de danos às suas florestas.

O seguro da Companhia pode ser insuficiente para cobrir as perdas em que ela possa incorrer. A Fibria tem seguros para cobrir danos às instalações causados por incêndio, responsabilidade de terceiros geral de acidentes e riscos operacionais e de transporte internacional e doméstico. A Companhia não mantém cobertura de seguros contra todos os riscos relacionados às suas florestas. A ocorrência de perdas ou outros danos não cobertos pelo seguro ou que excedam os limites do seguro podem resultar em custos adicionais inesperados.

Movimentos sociais e a possibilidade de expropriação podem afetar o uso normal, danificar ou nos privar do uso ou valor justo de nossas propriedades.

Diversos grupos ativistas no Brasil defendem a reforma agrária e redistribuição de terras através da invasão e ocupação de áreas rurais. A Companhia tem trabalhado com o MST (Movimento Sem Terra), INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e governo do estado da Bahia e acordado desenvolver e implementar um projeto modelo de assentamento e produção agroflorestal em 2011. Em 2012 o projeto foi lançado, em benefício de aproximadamente 1.000 famílias em áreas ocupadas pelo MST. Não podemos assegurar que nossas propriedades não estarão sujeitas a invasões ou ocupação por estes grupos. Uma invasão ou ocupação de terra pode prejudicar o uso normal de nossas terras ou ter um impacto adverso nos resultados de nossas operações, condições financeiras e no valor de nossas ações. Além disso, as terras da Companhia podem estar sujeitas a desapropriação pelo governo brasileiro. Segundo a legislação brasileira, o governo federal pode desapropriar terra que não está em conformidade com sua "função social", incluindo exploração racional e adequada da terra, utilização adequada dos recursos naturais, preservação do meio ambiente, o cumprimento das leis trabalhistas, etc. Se o governo brasileiro desapropriar qualquer das propriedades da Companhia, os resultados das operações da Companhia podem ser adversamente afetados na medida em que a compensação do governo se mostre insuficiente. Além disso, a Companhia poderá ser forçada a aceitar títulos da dívida pública, que têm liquidez limitada, em vez de dinheiro como pagamento pelas terras desapropriadas.

A Companhia pode estar sujeita a reinvindicações trabalhistas eventuais que podem causar efeitos adversos.

A maioria de nossos funcionários é representada por sindicatos ou órgãos equivalentes e estão cobertos por acordos coletivos ou similares, que estão sujeitos a renegociação periódica. Já tivemos experiências de breves reduções no ritmo de trabalho. Além disso, talvez não consigamos concluir com êxito nossas negociações trabalhistas em termos satisfatórios, o que poderá resultar em aumento significativo no custo de mão de obra ou em paralisações ou transtornos de trabalho, atrapalhando nossas operações. Quaisquer referidos aumentos nos custos, paralisações do trabalho ou transtornos podem nos afetar de forma substancial e negativa.

Outros riscos podem causar impactos materiais adversos sobre os resultados operacionais e financeiros da Companhia.

As operações da Companhia estão sujeitas a diversos outros riscos que afetam suas florestas e processos produtivos, incluindo incêndios, secas, pragas, invasões, desapropriações, alterações climáticas, greves, fechamentos de portos, custos de expedições, falhas elétricas e explosões em plantas, que podem causar efeitos materiais adversos sobre seus resultados operacionais e financeiros.

Os acionistas controladores têm o poder de controlar a Companhia e todas as suas subsidiárias, e seus interesses podem entrar em conflito com os interesses de outros acionistas.

A Companhia é controlada por Votorantim Industrial S.A. (―VID‖) e BNDES Participações S.A. (―BNDESPar‖), que são signatários de uma acordo de acionistas, e têm o poder de controlar a Companhia e suas subsidiárias, incluindo o poder de:

• eleger os membros do conselho de administração; e

• determinar o resultado de qualquer ato que exija aprovação de acionistas, incluindo transações com partes relacionadas, reorganizações corporativas e alienações, além do prazo e do pagamento de quaisquer dividendos futuros.

Além disso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES era credor de, aproximadamente, 16% do endividamento consolidado de 31 de dezembro de 2012 e, ainda, há expectativa de continuarmos obtendo empréstimos do BNDES futuramente. Como um dos acionistas mais importantes e subsidiária de um dos credores mais importantes (BNDES), a BNDESPar pode exercer influência sobre o negócio e decisões corporativas e suas ações podem ser influenciadas pelas políticas do governo federal do Brasil, o que pode conflitar com o interesse dos demais acionistas. Atualmente, a Companhia participa de transações comerciais e financeiras, periodicamente, com os signatários do Acordo de Acionistas da Companhia, celebrado em 29 de outubro de 2009, arquivado na sua sede, ou suas afiliadas. As transações financeiras e comerciais entre a Companhia e suas afiliadas têm potencial para gerar ou podem resultar em relações em que haja conflitos de interesses.

Companhia pode não pagar dividendos aos acionistas titulares de suas ações.

De acordo com seu estatuto social, a Companhia deve pagar aos seus acionistas 25% do seu lucro líquido anual ajustado sob a forma de dividendo obrigatório. O lucro líquido pode ser capitalizado, utilizado para compensar prejuízo ou então retido, conforme previsto na Lei n° 6.404/76, podendo não ser disponibilizado para pagamento de dividendos. A Companhia pode não pagar dividendos aos seus acionistas em qualquer exercício social se os administradores manifestarem, e se a assembleia geral de acionistas da Companhia assim aprovar, se tal pagamento for desaconselhável diante da situação financeira da Companhia.

Não foram propostos dividendos para o exercício findo em 31 de dezembro de 2012 em função do prejuízo apurado no exercício.

A relativa volatilidade e a falta de liquidez do mercado de capitais brasileiro poderão limitar substancialmente a capacidade dos nossos investidores de vender as ações de nossa emissão ao preço e na ocasião desejados.

O investimento em valores mobiliários negociados em mercados emergentes, tal como o Brasil, envolve, com frequência, maior risco em comparação a outros mercados mundiais, sendo tais investimentos considerados, em geral, de natureza mais especulativa. O mercado brasileiro de valores mobiliários é consideravelmente menor, menos líquido, mais volátil e mais concentrado do que os principais mercados de valores mobiliários mundiais. Em 31 de dezembro de 2012, o valor total de capitalização das companhias listadas na BM&FBOVESPA S.A. – Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (―BM&FBOVESPA‖) correspondia a aproximadamente R$2,52 trilhão. Essas características do mercado de capitais brasileiro poderão limitar consideravelmente a capacidade do investidor de vender as ações de nossa emissão ao preço e momento desejados, o que pode ter um efeito adverso relevante sobre a cotação das nossas ações.

A Companhia realiza certas operações através de empreendimentos conjuntos, sobre os quais não tem controle exclusivo.

Em outubro de 2000, a Aracruz Celulose S.A. (posteriormente incorporada pela Votorantim Celulose e Papel S.A.) adquiriu uma participação de 45% no capital social da Veracel Celulose S.A., um empreendimento conjunto com a Stora Enso OYJ (―StoraEnso‖), que opera planta de celulose e florestas no sul do Estado da Bahia.

Em janeiro de 2003, a Companhia aumentou sua participação acionária na Veracel para 50%, ficando o quadro acionário da sociedade detido 50% pela Companhia e 50% pela Stora Enso. A Fibria, como sucessora legal da Aracruz, é parte em um acordo de acionistas com a Stora Enso, regulamentando o relacionamento das acionistas no que se refere à Veracel, lhes permitindo a nomeação um número igual de membros do Conselho de Administração de referida sociedade. Nos termos desse acordo de acionistas, cada parte pode ser chamada a fazer contribuições de capital e, se qualquer uma das partes falhar ao cumprir com as obrigações acordadas com relação às necessidades de financiamento ou plano pré-acordado de aporte de capital e investimento da Veracel, o acionista solicitante terá o direito de exigir a transferência da participação acionária do acionista inadimplente a ele, a valor de mercado descontado. O Acordo de Acionistas em questão pode restringir a capacidade da Companhia em realizar atos em seu interesse, ou prevenir que ações prejudiciais a seus interesses sejam tomadas.

A Companhia depende de fornecedores de substâncias químicas para produção de celulose.

Grande parte do mercado de celulose é atendida por diversos fornecedores, frequentemente de países diferentes. Muitos fatores influenciam nossa posição competitiva, incluindo a eficiência da planta, os índices operacionais e a disponibilidade, qualidade e o custo de certos insumos. Utilizamos várias substâncias químicas no processo de branqueamento da celulose e dependemos significativamente destas substâncias. Nosso custo caixa de produção e despesas operacionais são denominadas de forma substancial em moeda local, e tendem a aumentar de acordo com a inflação brasileira porque nossos fornecedores aumentam seus preços de uma forma geral tentando recompor suas respectivas estruturas de custo, para refletir o efeito da inflação.

Parte relevante de nossa receita é dependente de nossos principais clientes, os quais representam uma parte significativa de nosso faturamento.

No ano encerrado em 31 de dezembro de 2012, os vinte maiores clientes da Companhia respondiam por, aproximadamente, 89,6% do volume de vendas de celulose. Se a Fibria for incapaz de substituir o volume de vendas representado por qualquer um destes clientes importantes, a perda de qualquer um deles poderia causar impactos materiais adversos sobre os resultados das operações, fluxos de caixa e situação financeira da Companhia. Ainda que substituídos, o resultado causado pela mudança do portfólio seria, potencialmente, pior.

Atrasos na expansão de nossas instalações ou na construção de novas instalações poderão afetar nossos custos e resultados operacionais.

Como parte de nossa estratégia para aumentar nossa participação de mercado internacional e melhorar nossa competitividade por meio de maiores economias de escala, poderemos expandir nossas instalações de produção existentes ou construir outras. A expansão ou construção de uma instalação de produção envolve vários riscos, entre eles de engenharia, construção, regulatórios e outros desafios significativos que poderão atrasar ou impedir a operação bem-sucedida do projeto ou aumentar significativamente nossos custos. Nossa capacidade de concluir com sucesso qualquer projeto de expansão ou nova construção tempestivamente também está sujeita a riscos de financiamento e outros.

Poderemos ser afetados negativamente porque:

* poderemos não conseguir concluir nenhum projeto de expansão ou nova construção tempestivamente ou dentro do orçamento, ou sermos obrigados a, devido às condições do mercado ou outros fatores, atrasar o início da construção ou o cronograma para concluir novos projetos ou expansões;

* nossas instalações novas ou modificadas poderão não operar na capacidade projetada ou poderão custar mais que esperado para operar;

* poderemos não conseguir vender nossa produção adicional a preços atrativos; e

* poderemos não ter os fundos ou conseguir adquirir financiamento para implementar nossos planos de crescimento.

Os preços de mercado dos produtos da Companhia são cíclicos.

Os preços que a Companhia consegue obter para seus produtos dependem dos preços mundiais do mercado de celulose. Os preços mundiais de celulose são historicamente cíclicos e sujeitos a oscilações significativas em curtos períodos de tempo, dependendo de diversos fatores, incluindo:

• demanda mundial por produtos de celulose;

• capacidade de produção e estoques mundiais;

• estratégias adotadas pelos principais produtores de celulose; e

• disponibilidade de substitutos aos produtos da Fibria.

Todos estes fatores estão além do controle da Companhia. Flutuações de preços ocorrem não só de ano para ano, mas também ao longo do ano como resultado da economia global e regional, condições, restrições de capacidade, aberturas e fechamentos de plantas, a oferta e a demanda de matérias-primas e produtos acabados, entre outros fatores.

Em 2008, a combinação de um mercado de celulose favorável mostrando demanda robusta até o mês de agosto, principalmente da China e Europa; reduções de fornecimento, causadas pelo baixo nível de estoques mundiais; fechamentos de capacidade e de poucas capacidades adicionais; questões ambientais e de escassez de madeira contribuíram para diversos aumentos de preços de US$ 20-40 por tonelada em cada região.

Durante os últimos quatro meses de 2008, os preços caíram significativamente devido à menor demanda provocada pelo início da crise financeira mundial. Em 2008, os preços médios atingiram lista BEKP (Bleached Eucalyptus Kraft Pulp)  US$ 811 por tonelada na América do Norte, US$ 789 por tonelada na Europa e US$ 686 por tonelada na Ásia.

Em 2009, a desaceleração da economia mundial continuou a afetar diretamente os preços da celulose globalmente com o mercado da Ásia registrando o declínio mais significativo nos preços, caindo para US$ 450 por tonelada em 31 de março de 2009, e recuperação para US$ 660 por tonelada em 31 de dezembro de 2009. Em 2009, os preços lista médios BEKP foram de US$ 621 por tonelada na América do Norte, US$ 571 por tonelada na Europa e US$ 517 por tonelada na Ásia.

Em 2010, a economia mundial continuou a sua recuperação e proporcionou melhores condições para os mercados de papel e celulose. Os preços médios BEKP alcançaram US$ 880 por tonelada na América do Norte, US$ 848 por tonelada na Europa e US$ 788 por tonelada na Ásia.

Em 2011, a economia global impactou novamente o mercado de celulose, que teve uma tendência de alta no primeiro semestre do ano, mas terminou o ano em um nível mais baixo do que o início do ano, com os preços médios BEKP de US$ 871 por tonelada, US$ 821 por tonelada e US$ 703 por tonelada na América do Norte, Europa e Ásia, respectivamente.

Em 2012, as incertezas acerca da recessão econômica na Europa levaram a um ambiente instável para os preços da tabela da BEKP. Após uma tendência de alta no primeiro semestre de 2012, os preços apresentaram quedas semanais consecutivas durante o terceiro trimestre, mas recuperaram a força nos últimos três meses do ano, levando os preços da tabela da BEKP a uma média anual de US$831 por tonelada na América do Norte, US$777 por tonelada na Europa e US$668 por tonelada na Ásia.

Descontos são frequentemente concedidos pelos vendedores para compradores relevantes. Embora tenhamos relacionamento de longo prazo com muitos dos nossos clientes, nenhuma garantia pode ser dada de que os preços da celulose vão se estabilizar, se diminuirão ainda mais no futuro, ou que a demanda por nossos produtos não vai diminuir no futuro. Como resultado, não se pode assegurar que a Companhia será capaz de operar a produção de forma rentável no futuro. Uma queda significativa no preço de um ou mais dos nossos produtos poderia ter um efeito material adverso sobre nossa receita operacional líquida, lucro operacional e receita líquida.

A Companhia enfrenta concorrência significativa em alguns de seus negócios, o que pode afetar de modo adverso sua participação no mercado e lucratividade.

O setor de celulose é extremamente competitivo. No mercado mundial de celulose, alguns dos concorrentes da Companhia podem ter maior poder financeiro e acesso a recursos de capital mais baratos e, consequentemente, de oferecer suportes aos custos estratégicos direcionados ao aumento da participação no mercado. A participação da Companhia no mercado pode ser afetada de modo adverso se ela for incapaz de continuar a ampliar sua capacidade de produção com êxito no mesmo ritmo de seus concorrentes. Além disso, a maioria dos mercados de celulose é atendida por diversos fornecedores, frequentemente de países diferentes. A posição competitiva da Companhia é influenciada por diversos fatores, incluindo a eficiência das plantas, taxas operacionais e a disponibilidade, qualidade e custo da madeira, energia, água, insumos químicos, logística e trabalho e as oscilações da taxa de câmbio. Alguns dos concorrentes da Companhia podem ter mais recursos financeiros e de marketing e maior amplitude de ofertas de produtos que a Fibria. Se a Companhia for incapaz de permanecer competitiva com estes produtores, no futuro, sua participação no mercado pode ser afetada de modo adverso. Além disso, a pressão sobre os preços de celulose pelos concorrentes pode afetar a nossa rentabilidade.

A concorrência por terra para utilização como florestas de eucalipto ou outras culturas, como soja, cana de açúcar e outras commodities, pode afetar a ampliação da Companhia.

A grande demanda global por certas commodities, principalmente grãos e biocombustível, pode causar impactos sobre as operações florestais da Companhia de duas maneiras:

• a maior concorrência por terra pode causar impacto sobre seu preço. Geralmente, a produção de grãos e biocombustível é economicamente superior às atividades florestais e, consequentemente, os aumentos potenciais dos valores da terra podem inibir a ampliação da base florestal; e

• pela mesma razão descrita acima, a Companhia pode enfrentar dificuldades ao convencer terceiros a começar ou a ampliar a produção de eucalipto para utilização no setor de celulose.

Crises globais e arrefecimentos econômicos subsequentes como os que ocorreram durante 2008 e 2009 podem ter efeitos adversos sobre a demanda global de celulose. Como resultado, nossa condição financeira e os resultados operacionais podem ser afetados adversamente.

A demanda por nossos produtos de celulose está atrelada diretamente à atividade econômica geral nos mercados internacionais em que vendemos nossos produtos. Após um período estável de crescimento entre 2003 e 2007,  a queda acentuada na demanda resultante da crise econômica mundial de 2008-2009 novamente demonstrou a vulnerabilidade do mercado de celulose em relação à volatilidade internacional. Ao longo de 2010, a economia mundial continuou a sua recuperação e propiciou melhores condições para o mercado de celulose. In 2011, o mercado da indústria de celulose teve duas fases distintas. Durante a primeira metade do ano, a demanda de celulose do mercado global aumentou 7,7% em 2010, principalmente devido à alta  demanda chinesa. A partir de Julho, a crise europeia e seus efeitos na economia global tiveram impacto negativo na demanda mundial de celulose.

Em 2012, o ambiente econômico instável continuou a pressionar a demanda por celulose; entretanto, resultados positivos em mercados emergentes compensam as perdas nos mercados maduros, levando a uma maior demanda por celulose em comparação ao ano anterior. Uma redução contínua no nível de atividade nos mercados doméstico ou internacional em que operamos pode afetar negativamente a demanda e o preço de nossos produtos e ter um efeito negativo substancial sobre a Companhia.

A deterioração das condições econômicas do Brasil e globais pode, entre outras coisas:

* afetar negativamente, ainda mais, a demanda global por celulose ou reduzir ainda mais os preços de mercado de nossos produtos, o que pode resultar em uma redução contínua de nossa receita, nossos lucros operacionais e nossos fluxos de caixa;

* dificultar ou encarecer para nós a obtenção de financiamento para nossas operações ou investimentos ou o refinanciamento de nossa dívida no futuro;

* prejudicar a situação financeira de alguns de nossos clientes, fornecedores ou contrapartes de nossos instrumentos derivativos, aumentando, dessa forma, a inadimplência de clientes ou o não cumprimento por parte de fornecedores ou contrapartes;

* reduzir o valor de alguns de nossos investimentos; e

* prejudicar a viabilidade financeira de nossas seguradoras.

A Companhia pode ser afetada adversamente pela imposição e aplicação de regulamentos ambientais mais rígidos que exigiriam o dispêndio de fundos adicionais.

A regulamentação ambiental brasileira aplicável a florestas é complexa porque envolve regulamentos federais, estaduais e municipais; as exigências e restrições podem variar entre esses órgãos públicos. Além disso, o descumprimento dessas leis, regulamentos e autorizações poderia resultar em sanções penais para a Companhia e para os seus funcionários. A Companhia também pode ser responsável pelos custos de remediação ambiental relacionados, os quais podem ser substanciais. Além disso, as leis e regulamentos ambientais, em certos países, podem ser mais rígidos que as leis e regulamentos do Brasil, o que pode levar estes países a impor sanções relacionadas ao comércio para o Brasil ou ao setor da Companhia.

Ademais, uma eventual incapacidade da Companhia de cumprir leis e regulamentos ambientais internacionais mais rígidos poderia impedi-la de buscar financiamentos de menor custo em organizações internacionais de desenvolvimento multilateral, ou relacionadas ao governo, o que pode condicionar futuros financiamentos ao cumprimento, pela Companhia, de leis e regulamentos ambientais mais rígidos.

As ações do poder legislativo estadual ou federal de autoridades de segurança pública podem afetar adversamente as operações da Companhia.

No passado, o Estado do Espírito Santo, onde estão as operações da Fibria através de sua unidade Aracruz, aprovou leis para restringir a plantação de florestas de eucalipto para a produção de celulose. Embora tenha sido obtida medida liminar contra estas leis estaduais, e embora a nova legislação estadual as tenha cancelado, não há garantias de que leis similares não serão decretadas no futuro, o que representaria limitações ou restrições sobre a plantação de eucalipto na região em que a Companhia opera.

As alterações nas leis fiscais brasileiras podem causar impactos adversos sobre os impostos aplicáveis aos negócios da Companhia.

O governo brasileiro, frequentemente, implementa alterações aos regimes fiscais que podem afetar a Companhia e seus clientes. Essas alterações incluem alterações nas alíquotas de imposto e, ocasionalmente, a aprovação de tributos temporários, cujas receitas são destinadas a fins governamentais previamente designados. Algumas destas alterações podem resultar em aumento no pagamento de impostos, que podem afetar adversamente a lucratividade do setor, aumentar os preços dos produtos da Companhia, restringir sua capacidade de fazer negócios nos mercados-alvo e nos mercados em que já atua, e prejudicar seus resultados financeiros. Não há garantias de que a Companhia conseguirá manter o fluxo de caixa e lucratividade planejados após quaisquer aumentos nos impostos aplicáveis à Companhia e às suas operações.

A Companhia pode ser afetada por ações governamentais que atinjam os mercados e a economia brasileira.

O governo brasileiro exerceu e continua a exercer uma influência relevante sobre diversos aspectos do setor privado. Ele, por exemplo, pode impor restrições ao mercado de exportações, criando impostos de exportações sobre qualquer produto, incluindo a principal fonte de receitas da Companhia (celulose de mercado), afetando assim as margens e a lucratividade das empresas de exportação. Além disso, o governo brasileiro, através do BNDES, possui ou controla diversas empresas, incluindo algumas das maiores do Brasil. Por exemplo, o BNDES, através de sua subsidiária integral, a BNDESPar, é um dos acionistas signatários do Acordo de Acionistas junto com a VID, e historicamente tem sido um dos credores mais importantes da Companhia.

Estamos sujeitos a riscos regulatórios associados às nossas operações internacionais.

A Fibria está sujeita a leis e regulamentações locais, regionais e globais em áreas tão distintas como segurança de produtos, afirmações acerca de produtos, marcas registradas, concorrência, saúde e segurança de funcionários, o meio ambiente, governança corporativa, listagem e divulgações, emprego e impostos.

O descumprimento dessas leis e regulamentações poderia expor a Fibria a ações cíveis e/ou criminais, levando a indenizações, multas e sanções criminais contra nós e/ou nossos funcionários, com possíveis consequências à nossa reputação corporativa.

As situações econômicas e de mercado de outros países, inclusive de países em desenvolvimento, podem afetar material e adversamente a economia brasileira e, portanto, o valor de mercado das ações da Companhia.

O mercado de títulos e valores mobiliários emitidos pelas empresas brasileiras é influenciado pelas condições econômicas e de mercado do Brasil e, em graus variáveis, pelas condições do mercado de outros países da América Latina e de alguns países em desenvolvimento. Embora a situação econômica seja diferente em cada país, a reação dos investidores ao desenvolvimento de um país pode causar oscilação nos mercados de capital de outros países. A situação econômica dos países em desenvolvimento tem afetado significativamente a disponibilidade de crédito na economia brasileira e resultaram no escoamento considerável de fundos, reduções da quantidade de moeda estrangeira investida, no Brasil, e no acesso limitado aos mercados de capital internacionais, resultados que podem afetar material e adversamente a habilidade da Companhia de tomar empréstimos de fundos a uma taxa de juros aceitável ou de aumentar o capital social, se houver necessidade. A volatilidade dos preços de mercado dos títulos e valores mobiliários brasileiros tem aumentado, periodicamente, e a percepção dos investidores a respeito do aumento dos riscos em virtude das crises em outros países, inclusive em países em desenvolvimento, também, pode levar a uma redução do preço de mercado das ações da Companhia.

As exportações da Companhia a expõe a riscos políticos e econômicos em países estrangeiros

As exportações da Companhia representaram, conjuntamente 91%, 85% e 86% de nossa receita consolidada nos exercícios encerrados em 31 de dezembro de 2012; 31 de dezembro de 2011 e em 31 de dezembro de 2010,  respectivamente. As exportações, principalmente para Europa, América do Norte e Ásia, expõem a Companhia a riscos não enfrentados pelas empresas que se limitam a operar apenas no Brasil, ou em um único país. Por exemplo, as exportações podem ser afetadas por restrições e tarifas de importação, outras medidas de proteção ao comércio e requisitos de licenciamento de importação ou exportação.

Adicionalmente, o setor internacional de celulose é altamente competitivo. Alguns de nossos concorrentes podem ter maior força financeira e acesso a fontes de capital mais baratas, e, consequentemente, a capacidade de sustentar despesas de investimento estratégicas destinados a aumentar sua participação de mercado.

O desempenho financeiro futuro da Companhia dependerá significativamente das condições econômicas, políticas e sociais de seus principais mercados de exportação (Estados Unidos, Europa e Ásia). Outros riscos associados às atividades internacionais da Fibria incluem:

• flutuações significativas na demanda mundial de celulose, que pode resultar na redução de vendas, lucros operacionais e fluxos de caixa da Companhia;

* a entrada de novos produtores de celulose ou fusões e aquisições entre produtores existentes, que poderiam limitar nossa competitividade no mercado;

* a incapacidade de continuar a expandir com sucesso nossa capacidade de produção no mesmo ritmo do de nossos concorrentes poderia afetar negativamente nossa participação de mercado;

* a deterioração das condições econômicas globais poderia prejudicar a situação financeira de alguns de nossos clientes, fornecedores ou contrapartes de nossos instrumentos derivativos, aumentando, dessa forma, a inadimplência de clientes ou o não cumprimento por parte de fornecedores ou contrapartes;

* a pressão sobre os preços da celulose pode afetar nossa lucratividade;

* variações nas taxas de câmbio (envolvendo Dólar) e inflação nos países estrangeiros em que operamos;

* controles de câmbio e comércio internacional;

* alterações nas condições econômicas de um país ou regiões específicas;

* uma crise nos mercados financeiros e a ameaça de uma desaceleração econômica global;

* diferenças culturais, resultando em práticas comerciais distintas;

* consequências adversas derivadas de alterações em exigências regulatórias, incluindo leis e regulamentos ambientais e exigências de Certificações;

* dificuldades e custos associados ao cumprimento e à execução de recursos em uma ampla variedade de leis, tratados e regulamentos internacionais complexos;

* consequências adversas decorrentes de alterações em leis tributárias; e

* custos de logística, interrupções em embarques ou disponibilidade reduzida de transporte fretado.

Apesar de tentarmos administrar alguns desses riscos por meio da utilização de programas de gestão de riscos, estes não podem ser totalmente eliminados. A ocorrência de qualquer um destes eventos pode causar impactos negativos sobre a capacidade da Companhia de realizar negócios em certos mercados existentes ou em desenvolvimento.

Desdobramentos econômicos negativos na China poderia ter um impacto negativo sobre as exportações, afetando adversamente nossa receita de caixa, fluxo e rentabilidade.

De acordo com as estatísticas do mercado (PCCC), a demanda chinesa representou 27% da demanda mundial do mercado de celulose em 2012, e esse consumo aumentou a uma taxa média anual de crescimento de 11% desde 2004, acima da média global de 2%. Os recentes investimentos em máquinas para produção de papel e papelão na China têm impulsionado a demanda por celulose nesse país; entretanto, a volatilidade da demanda chinesa em razão da movimentação de compra especulativa é um fator de risco chave para qualquer previsão da demanda no curto prazo. Uma redução da demanda por nossos produtos na China pode afetar as exportações de modo adverso e, consequentemente, os resultados operacionais e financeiros da Companhia.

Os riscos apresentados no item anterior são constantemente monitorados pela Companhia. No presente momento, a Companhia não possui expectativas de redução ou aumento dos riscos apresentados pelos motivos abaixo.

Riscos de crédito: A Companhia não espera mudanças significativas no perfil de crédito de suas exposições em bancos, seguradoras, clientes e fornecedores. Nos sinais de early warnings de deterioração setorial acompanhados pela Companhia as ações de mitigação são tomadas de forma a antecipar-se a possíveis eventos de crédito futuros.

Riscos de Mercado: A Companhia não espera para o curto e médio prazo, mudanças significativas de suas exposições a seus principais fatores de riscos de mercado como 1) dólar dos EUA, 2) preço da celulose, 3) taxa fixa Americana, 4) taxa libor, 5) taxa TJLP, 6) CDI, 7) taxa pré Brasil.

Riscos Estratégicos: Dos 239 riscos de teor estratégico mapeados pela Companhia, espera-se que alguns deles tenham sua probabilidade e impactos ligeiramente arrefecidos em 2013. Como exemplo, podemos citar os impactos da perda da Certificação FSC, pois os avanços nos processos da Companhia tornaram o cenário mais favorável à Fibria.