Tereos
- Principais riscos que a própria Companhia enxerga e assume

Principais riscos da Companhia

As condições econômicas atuais podem afetar negativamente a demanda por nossos produtos e reduzindo o acesso ao crédito para nossos clientes, nossos negócios, resultados operacionais, condição financeira e fluxo de caixa.

As condições econômicas na Europa, no Brasil e em outros países e regiões em que atuamos continuam fracas, e podem permanecer assim. Condições gerais econômicas e de negócios que poderiam nos afetar incluem as taxas de juro de curto prazo e longo prazo, o desemprego, inflação, as flutuações nos mercados de dívida, e o enfraquecimento da economia brasileira, da União Europeia e dos outros mercados em que atuamos. Enquanto atualmente essas condições não tenham prejudicado a nossa capacidade de acessar os mercados de crédito para financiamento de nossas operações, não há nenhuma garantia de que não haverá uma nova deterioração num futuro próximo.

Pode ocorrer uma série de outros efeitos em nosso negócio decorrentes da atual conjuntura econômica, incluindo a redução da demanda do consumidor por nossos produtos; insolvência dos nossos clientes, resultando em aumento de provisões para perdas de crédito; atrasos ou cancelamentos de pedidos e falhas de contraparte, o que podem impactar negativamente nossas operações.

Adicionalmente, as fracas condições econômicas mundiais atualmente e a instabilidade do mercado tornam difícil para nós, nossos clientes e fornecedores a projeção precisa de tendências futuras, o que pode nos levar a produzir produtos em excesso, com aumento dos nossos custos de estoque. Alternativamente, esta dificuldade de projeção poderia também causar uma escassez de produtos, resultando em uma incapacidade de satisfazer a demanda por nossos produtos.

Contaminação de nossos produtos ou outros riscos de relacionados podem prejudicar nossa reputação, levando à abertura de processos judiciais e/ou resultando no fechamento de nossas instalações produtivas.

Nossas operações estão sujeitas a perigos e riscos. Alguns dos nossos produtos podem ter alguns efeitos adversos nos consumidores, como alergenicidade, provenientes de componentes intrínsecos em nossas matérias- primas, nos demais insumos utilizados para produzir nossos produtos o desenvolvimento de novos componentes de produtos em certas etapas do processamento, ou contaminação de produto causado por erros na produção de insumos de produtos. Esses possíveis efeitos podem ainda não terem sido identificados devido à falta de conhecimento científico.

A contaminação de qualquer de nossos produtos pode resultar na necessidade de seu recolhimento ou na abertura de processos judiciais contra nós, o que pode afetar adversamente nossa reputação, negócios, condição financeira e resultado operacional. Acreditamos que a reputação de oferecer produtos de alta qualidade é uma de nossas principais vantagens competitivas, de forma que qualquer dano à nossa reputação de qualidade pode ter efeito material adverso sobre nós.

Além disso, muitos de nossos produtos devem obedecer a severas normas nacionais e internacionais de saúde e segurança. Nossas instalações produtivas estão sujeitas à inspeção regular em cumprimento das normas de higiene aplicáveis à produção de alimentos. Na hipótese de ser constatada qualquer infração a tais normas e regulamentos, poderemos ser forçados a interditar temporariamente as respectivas instalações e estarmos sujeitos a multas por tais infrações. Qualquer multa ou perda de produção devido à paralisação de uma de nossas instalações pode afetar adversamente nossos resultados de operações e nossa rentabilidade.

Dependemos de nossas instalações produtivas e qualquer interrupção operacional poderá reduzir nossas receitas e levar a perdas substanciais.

Operamos 22 unidades industriais em todo o mundo e nossas receitas dependem da venda dos produtos fabricados nessas instalações. Nossas operações podem estar sujeitas a significativas interrupções caso qualquer de nossas instalações sofra um acidente de maior relevância, ou seja, afetada pelo clima inclemente ou por outras catástrofes naturais, como inundações. Além disso, nossas operações podem estar sujeitas a paralisações não programadas ou outros problemas operacionais inerentes ao setor, como falha de equipamentos, incêndios, explosões, pressão anormal, ruptura de dutos, acidentes de transporte e catástrofes naturais. Alguns desses riscos operacionais podem causar danos pessoais ou perda de vidas, danos severos a propriedades ou sua destruição e danos ambientais, que podem resultar na suspensão de nossas operações e na imposição de penalidades civis e criminais. Nossos seguros podem não ser adequados para cobrir integralmente os riscos operacionais acima descritos e podemos não conseguir renovar nossos seguros em condições comercialmente razoáveis ou simplesmente não conseguir renová-los.

Nossas unidades industriais no Brasil estão sujeitas à obtenção de licenças ambientais de operação.

Nossas plantas no Brasil estão sujeitas à obtenção de licenças ambientais de operação com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB). Tais licenças são válidas por um período de dois anos, sendo e um pedido de renovação deve ser feito 120 dias antes da expiração. Caso as renovações das licenças não sejam concedidas pela CETESB, nossas instalações podem ser proibidas de operar, o que teria um efeito adverso material sobre nossos negócios.

Podemos estar sujeitos a multas e outras penalidades se não conseguirmos obter licenças e certificados de conformidade das autoridades locais ou do corpo de bombeiros para qualquer de nossas unidades industriais no Brasil.

Para uso e ocupação de propriedades no Brasil é necessário obter um certificado emitido pelo município em que a propriedade esteja localizada, certificando que a propriedade está em conformidade com determinados requisitos de ocupação. Propriedades comerciais devem obter: (1) autos de conclusão da obra (“Habite-se”), (2) alvarás de funcionamento emitidos pelo município; e (3) certificados de inspeção pelo corpo de bombeiros. Nossas propriedades estão no processo de obtenção das referidas licenças. Operando sem as mencionadas licenças e certificados de conformidade, podemos estar sujeitos a penalidades como multas, obrigação de reformar edificações construídas de forma inadequada ou a suspensão das operações em unidades industriais. A imposição de tais penalidades, particularmente se resultarem na suspensão de nossas operações de qualquer de nossas unidades industriais que não estiverem em conformidade, poderia ter um efeito adverso significativo sobre nossos negócios.

Nossas atividades exigem investimentos industriais significativos que podem ser difíceis de prever.

Produzimos açúcar, amido e adoçantes, álcool, etanol, energia e outros produtos derivados da cana-de-açúcar, grãos e tubérculos. A transformação dessas matérias-primas em produtos acabados requer amplos processos industriais, tecnologias e maquinários. Como nossa lucratividade depende, em parte, de nossa habilidade de manter e expandir nossa capacidade de produção, investimos regularmente na manutenção e aprimoramento desses processos industriais, tecnologias e maquinários. Podemos não ser capazes de prever eventos excepcionais que exijam grandes gastos de capital, como quebra de maquinário em algumas de nossas instalações, desenvolvimento de novas tecnologias, iniciativas industriais ou comerciais tomadas por nossos concorrentes, ou outros eventos de força maior.

No caso da ocorrência de qualquer um desses eventos, podemos vir a ser obrigados a fazer investimentos inesperados,o que pode afetar adversamente nossa condição financeira e nossos resultados operacionais.

Riscos relacionados com a construção de usinas.

Como parte da estratégia para aumentar a participação no mercado e melhorar a competitividade, aproveitando as economias de escala, nós estamos atualmente envolvidos em vários projetos voltados para a expansão ou reconversão de nossas atuais plantas industriais. Expansões, conversões e greenfields envolvem riscos, incluindo o risco de que os projetos podem ser adiados ou abandonados devido a certos obstáculos regulatórios ou técnicos, relacionado em particular à construção, financiamento, ou regulamento, o que poderia aumentar significativamente os custos e atrasar qualquer retorno sobre o investimento. Além disso, podemos enfrentar o risco de insuficiência de demanda para os bens adicionais ou de não ser capaz de vender a produção adicional a preços competitivos. Nossa capacidade de concluir estes projetos no prazo e dentro do orçamento estimado está sujeito a certos fatores fora de nosso controle.

No caso dos custos estimados de esses projetos forem ultrapassados, ou os prazos não sejam cumpridos, ou se não formos capazes de vender a produção adicional, os negócios, nossa situação financeira e resultados operacionais podem ser materialmente afetados.

A interrupção dos transportes e serviços de logística, ou investimentos insuficientes em infraestrutura pública, podem afetar negativamente nossos resultados operacionais.

Nossas operações dependem do funcionamento contínuo de infraestrutura logística, incluindo portos, armazéns, rodovias e todos os meios de transporte operados por nós, nossos provedores de serviços, fornecedores e clientes. As operações em qualquer uma dessas instalações podem ser parcial ou totalmente encerradas, em caráter temporário ou permanentemente, em decorrência de qualquer evento fora de nosso controle, tais como, como catástrofes naturais, reparações por danos ambientais, problemas trabalhistas, ou interrupções no fornecimento de nossos produtos às nossas instalações ou nos meios de transporte. Qualquer interrupção significativa nessas instalações ou qualquer incapacidade de transportar produtos entre essas instalações, ou entre nós e nossos fornecedores ou clientes, por qualquer razão, poderia afetar negativamente nossos resultados de operações e fluxos de caixa.

Periodicamente celebramos contratos com terceiros para prestar os serviços de transporte e logística necessários para a continuidade de nossas operações. Por consequência, a rescisão ou término desses contratos ou nossa incapacidade de renová-los ou negociar novos contratos com outros prestadores de serviços em condições semelhantes poderá afetar significativamente nossos negócios ou resultados de operações.

No Brasil, são necessários investimentos substanciais em infraestrutura logística, para permitir o acesso aos terminais de exportação a custos competitivos. Uma grande parcela da produção agrícola brasileira ainda é transportada por caminhões, o que é significativamente mais dispendioso do que outros meios de transporte disponíveis aos europeus e outros produtores internacionais. Quanto à exportação de etanol, problemas de infraestrutura também atingem a taxa de expansão das instalações, produzindo misturas de etanol, a distribuição de gasolina misturada ao etanol e o número de estações de gás nacionais e internacionais capazes de distribuir a mistura de etanol aos consumidores. Futuros investimentos ou melhorias na infraestrutura do Brasil podem não ser feitas ou não ocorrerem no momento oportuno, o que pode prejudicar a demanda ou os preços de nossos produtos, impedir sua entrega, impor custos adicionais ou ter outros efeitos materiais adversos sobre nossos negócios, condição financeira e resultados de operações.

Nosso negócio, de uma forma geral, depende da disponibilidade contínua de infraestrutura logística e quaisquer interrupções podem ter um efeito relevante adverso sobre nossa condição financeira e resultados de operações.

Nosso sucesso depende dos serviços contínuos de certas pessoas estratégicas.

Nosso sucesso depende, em grande medida, do serviço continuado de nossos executivos e dos membros de nosso conselho de administração. Nosso crescimento e sucesso dependem também de nossa capacidade de atrair, treinar, reter e motivar colaboradores altamente qualificados nas áreas gerenciais, de vendas, administrativas, de pesquisas, operacionais e técnicas. A perda de uma ou mais pessoas estratégicas da nossa administração ou do quadro operacional, ou a incapacidade para atrair e reter tais profissionais poderá acarretar um efeito materialmente adverso em nossas operações.

Uma paralisação significativa de nossa força de trabalho poderá nos afetar de forma adversa.

Em 31 de março de 2013, empregávamos 14.253 funcionários permanentes. Em determinadas circunstâncias, que podem estar além de nosso controle, poderemos enfrentar disputas trabalhistas e paralisação do trabalho em uma ou mais de nossas instalações. Não enfrentamos paralisações no passado que tenham tido efeitos materiais sobre nós, mas não é possível garantir que não enfrentaremos nenhuma disputa trabalhista ou paralisação do trabalho que venha ocorrer no futuro em qualquer uma de nossas instalações que tenham um efeito material adverso sobre suas operações e, potencialmente, sobre nossos negócios.

Não temos seguro contra interrupção de negócios e a maioria de nossos ativos não está segurada contra guerra ou sabotagem. Além disso, nossa cobertura de seguros pode ser insuficiente para compensar todas as perdas e/ou prejuízos emque podemos vir a incorrer emnossas operações.

Nossas operações estão sujeitas a diversos perigos e riscos. Mantemos seguros nos níveis costumeiros em nosso setor para proteção contra esses riscos; entretanto, nossos seguros podem não ser suficientes para cobrir todas as perdas e prejuízos que possamos vir a ter em nossas operações. Por exemplo, nós não mantemos cobertura de seguro para interrupção de negócios de qualquer natureza, inclusive as ocasionadas por disputas trabalhistas, e a maior parte de nossos ativos não estão segurados contra guerras ou sabotagens. Se, por exemplo, nossos empregados entrarem em greve, as paralisações podem ter um efeito adverso significativo sobre nós, assim como um acidente operacional que causasse a interrupção de nossos negócios poderá ter efeito material e adverso sobre nossa condição financeira ou nossos resultados de operações. Além do mais, estamos sujeitos ao risco de não sermos capazes de obter ou manter seguros do tipo e valor desejado mediante tarifas razoáveis. Se viermos a ser responsabilizados por uma perda significativa para a qual não estejamos integralmente segurados, isso poderá ter um efeito adverso relevante sobre nossos negócios, condição financeira e resultados de operações.

Podemos ser adversamente afetados pelo resultado desfavorável de litígios pendentes.

Estamos envolvidos em certos processos tributários, civis, ambientais e trabalhistas. Constituímos, em 31 de março de 2013, uma provisão no valor de R$40 milhões para fazer frente a essas contingências. Não é possível prever se obteremos decisões favoráveis nesses ou em outros processos e podemos ser obrigados a pagar indenizações em resultado de alguma decisão desfavorável, inclusive multas e juros, o que pode afetar negativamente nossos negócios, condição financeira e resultados de operações.

Podemos estar sujeitos a consequências tributárias adversas.

Algumas leis e regulamentos aplicáveis nos países em que operamos apresentam riscos, em virtude de sua natureza imprecisa, dificuldade de interpretação ou mudanças em sua interpretação por parte das autoridades locais. Além disso, os regimes fiscais aplicáveis às nossas atividades variam de acordo com o país em que operamos e podem estar sujeitos a acontecimentos ou interpretações futuras que podem nos ser desfavoráveis. Portanto, nossas taxas de imposto efetivas podem ser afetadas por mudanças na composição de lucros ou por mudanças nas leis ou taxas tributárias, mudanças na avaliação dos ativos por impostos diferidos e passivos, e os ajustes materiais advindos de auditorias fiscais. No curso normal de nossos negócios, nós e nossas subsidiárias estamos sujeitos a fiscalização pelas autoridades fiscais locais. Tais fiscalizações podem resultar em lançamentos adicionais e podem levar a processos judiciais nas jurisdições cabíveis.

Podemos ser incapazes de proteger nossa propriedade intelectual.

Nosso sucesso comercial depende, em parte, da obtenção e manutenção de proteção de patentes de determinados produtos e tecnologias e de defender tais patentes contra contestações ou infrações de terceiros. Quando optamos por não buscar a proteção de patentes, protegemos nossas informações sigilosas e segredos comerciais por meio de acordos de confidencialidade. No entanto, nesses casos, outras pessoas podem, de forma independente, desenvolver tecnologias similares às nossas ou replicá-las. Além disso, nossas patentes podem vencer ou vigorar apenas por um período curto após a comercialização, o que reduziria ou eliminaria quaisquer vantagens decorrentes delas. Podemos enfrentar processos judiciais para alegar direitos ou infrações, fazer valer nossas patentes, proteger nossos segredos comerciais ou know-how, ou determinar o escopo e validade de direitos de exclusividade nossos ou de terceiros.

Podemos não ser capazes de fazer valer nossas patentes ou propriedade intelectual ou proteger nossos direitos exclusivos em todas ou algumas regiões, o que poderia ter efeito material adverso sobre nossos negócios, condição financeira e resultados de operações.

Financiamentos em condições aceitáveis podem não estar disponíveis para atender nossas necessidades futuras de capital.

As condições econômicas e financeiras globais continuam voláteis. Se linhas de crédito não estiverem disponíveis quando necessário, ou se estiverem disponíveis apenas em condições desfavoráveis, podemos encontrar dificuldades para atender às nossas necessidades de capital, aproveitar oportunidades de negócio ou reagir a pressões competitivas, o que pode afetar de forma adversa nossos negócios, condição financeira e rentabilidade. Também podemos precisar de recursos adicionais para crescer e expandir nossas operações, que esperamos financiar através do nosso fluxo de caixa operacional. Podemos também procurar novas formas de liquidez adicional através de empréstimos bancários convencionais ou através de dívida ou valores mobiliários em mercados privados ou públicos.

Não podemos fornecer qualquer garantia de que fluxos de caixa provenientes de nossas operações serão suficientes para financiar investimentos antecipados ou que seremos capazes de obter fundos adicionais dos mercados financeiros. Se não formos capazes de gerar fluxos de caixa ou levantar fundos adicionais suficientes para cobrir nossos investimentos, podemos não alcançar as eficiências operacionais desejadas ou ainda executar totalmente os nossos planos de expansão, o que pode impactar em nossa competitividade e, portanto, os resultados de nossas operações.

Nossos contratos de empréstimo contêm ou podem vir a conter cláusulas restritivas que podem limitar nossa capacidade de reagir a mudanças nas condições mercado ou buscar oportunidades de negócio.

Os contratos relativos às nossas linhas de crédito e outros financiamentos, bem como contratos de financiamento firmados por nossos acionistas controladores diretos ou indiretos, conforme o caso, contém cláusulas restritivas que limitam nossa capacidade e a de nossas subsidiárias para:

• contrair ou garantir dívidas adicionais ou emitir ações preferenciais;

• criar ou permitir a existência de gravames ou outros ônus sobre nossos ativos;

• distribuir dividendos ou efetuar outros pagamentos;

• firmar determinados tipos de transações com nossas afiliadas;

• emitir ou vender participações acionárias em nossas subsidiárias; e

• vender ativos, incorporar ou fundir com outra empresa.

Cumprir as restrições contidas em algumas dessas cláusulas exige a manutenção de certos índices e testes financeiros. Eventos fora de nosso controle podem afetar nossa capacidade de cumprir essas disposições e podemos não ser capazes de cumprir esses índices e verificações. Para mais informações sobre as restrições, bem como transações recentes, ver item 10.1(f) deste Formulário de Referência. A infração de qualquer dessas cláusulas resultaria em inadimplência em nosso contrato de empréstimo e os credores poderiam optar por declarar a dívida vencida, juntamente com os juros decorridos e outros valores complementares e executar suas garantias. Se o vencimento de qualquer de nossas dívidas for antecipado, nossos ativos poderão não ser suficientes para quitá-la integralmente e nossos acionistas poderão perder a totalidade de seu investimento.

Nossas estratégias de gerenciamento de riscos poderão não ser eficazes.

Nossos negócios são afetados por variações nos preços das commodities agrícolas, nos custos de transporte, nos preços de energia, nas taxas de juros e taxas de câmbio. Nós realizamos estratégias de hedge ou instrumentos derivativos para nos proteger ou minimizar esses riscos. Entretanto, essas estratégias e instrumentos derivativos poderão não ser bem-sucedidos na redução de nossa exposição a essas variações, o que poderá acarretar em um efeito material adverso em nosso negócio e resultados de operações.

Nossos sistemas, processos e locais de tecnologia da informação podem sofrer interrupções ou falhas que podem afetar nossa capacidade de realizar nossos negócios.

Nossos sistemas de tecnologia da informação - que em alguns aspectos depende de serviços fornecidos por terceiros – fornece conectividade a dados críticos, informações e serviços para usuários internos e externos. Utilizamos nossos sistemas de tecnologia da informação aliados ao pedido e gerenciamento de fornecimentos, a conversão de matérias-primas em produtos finais, o gerenciamento de estoques, o envio de produtos aos clientes, o processamento de transações, o resumo e reporte dos nossos resultados de operações, observando os requisitos regulatórios, legais e fiscais, e realizando outras atividades necessárias para operar nossos negócios. Se nossos sistemas de TI forem danificados ou deixarem de funcionar adequadamente por qualquer razão, como catástrofes, queda de energia ou falhas de segurança, poderemos sofrer interrupções na capacidade de gerenciar operações, que poderão ter um efeito material e adverso sobre nossa condição financeira e resultados de operações.

Riscos relacionados a parcerias.

Em vários países, e em particular no Brasil, como parte da produção de açúcar e etanol (parceria com a Petrobras), na China, no que diz respeito à produção de amido (joint venture com a Wilmar) e outros países da Europa (joint venture com o Grupo Frandino), conduzimos os negócios em aliança com parceiros estratégicos. Onde essas parcerias são criadas por meio de entidades conjuntas, essas entidades podem ser sujeitos a controle conjunto. Em tais casos, devemos, portanto, obter o consentimento do seu parceiro para qualquer decisão estratégica.

A ocorrência de um desentendimento com seus parceiros ou a terminação de uma ou mais dessas parcerias nos privaria de uma força motriz para o seu desenvolvimento e, portanto, poderia ter um efeito material adverso sobre seus negócios, sua situação financeira, seus resultados operacionais ou sua capacidade de atingir as metas.

A expansão dos nossos negócios por meio de aquisições e de alianças estratégicas poderá produzir benefícios menores do que previsto.

Como parte de nossa estratégia, ampliamos nossos negócios através de crescimento orgânico e aquisições estratégicas. Regularmente exploramos e buscamos oportunidades para possíveis aquisições de negócios ou ativos, para que possamos, assim, ampliar, consolidar ou complementar nossas operações já existentes ou ainda, aumentar nossa competitividade ou presença internacional nos mercados em que não operamos atualmente. Como exemplo, acreditamos que a indústria de açúcar e etanol no Brasil é altamente fragmentada, e que uma maior consolidação da indústria continuará a ocorrer. Entretanto, devido à possibilidade de nossa administração não ser capaz de prever se e quando novas oportunidades de negócio ocorrerão, nossa habilidade de continuar a expandir nossos negócios de forma bem sucedida baseada nessa estratégia, depende de muitos outros fatores, incluindo nossa capacidade de identificar essas oportunidades e financiar aquisições, nossa capacidade de acesso ao mercado de capitais e habilidade de negociar transações em condições favoráveis. Futuras transações desse tipo podem resultar no aumento de nosso endividamento e passivos relacionados, o que pode causar um efeito material adverso sobre nossos negócios e resultados de operações.

Nossas fusões, aquisições e alianças estratégicas, tanto concluídas quanto futuras, apresentam diversos riscos operacionais, financeiros e de gestão, inclusive:

• custo de integração de negócios adquiridos, inclusive a integração de informações de gestão e de sistemas de controle financeiros, marketing, atendimento ao cliente, logística e oferta de produtos;

• implementação de nossa estratégia de negócios para a sociedade resultante da operação;

• desvio da atenção de nossa administração para outros aspectos de negócios;

• problemas legais, de propriedade intelectual, regulatórios, contratuais, trabalhistas, financeiros, ou outros pendentes ou inesperados, provenientes das aquisições;

• recebimento de aprovações exigidas pela legislação antitruste ou de outras aprovações regulamentares;

• pretensão de passivos de empresas adquiridas, incluindo eventuais dívidas em potencial ou não divulgadas;

• despesas de capital adicionais;

• retenção de clientes;

• integração de empresas e culturas de gestão diferentes;

• funcionamento em novos mercados e áreas geográficas;

• necessidade de coordenação de gerenciamento mais extensivo;

• retenção, contratação e treinamento de pessoal-chave; e

• outras mudanças inesperadas nas condições econômicas e regulatórias.

Caso algum desses riscos associados a fusões, aquisições ou alianças estratégicas, concluídas ou futuras, venha a ocorrer, poderemos sofrer um efeito material adverso em nossos negócios, nossa posição financeira e nossa rentabilidade.

Nossa rentabilidade futura e nosso crescimento podem ser afetados por nossa incapacidade de conter os custos de matéria-prima, operacional e de energia.

Nossa lucratividade e crescimento futuros dependem da nossa capacidade de conter nossos custos operacionais, custos de produtos unitários e de manter e/ou implementar programas efetivos de controle de custos, enquanto ao mesmo tempo mantém-se preços competitivos e de qualidade superior. Nossa capacidade de manter uma estrutura de custos competitiva depende de contenção contínua de custos de produção, entrega e administrativos, assim como a implementação de programas de redução de custo de compra de matérias-primas e energia. Nossas operações na Europa, especialmente no processamento de amido e extração de etanol a partir de grãos, utilizam grandes quantidades de energia derivada de gás natural, já que o gás natural é a fonte primária de energia nesta região. Em caso de quaisquer alterações adversas e imprevistas nos mercados energéticos da Europa, estaríamos sujeitos ao aumento em nossos custos de produção, os quais seríamos incapazes de transferir para os nossos clientes, resultando em redução de nossa rentabilidade. Por outro lado, nossas instalações de produção no Brasil e na Ilha da Reunião são autossuficientes, e o excedente de energia produzido no Brasil é vendido no mercado.

Os interesses de nosso acionista controlador podem conflitar com os de nossos acionistas minoritários.

Tereos UCA controla direta e indiretamente nossos acionistas, Tereos Participations, Tereos Agro-Industrie e Tereos do Brasil Participações, que em conjunto, têm poderes para, independentemente do voto dos acionistas minoritários, eleger e exonerar a maioria dos membros de nosso conselho de administração, controlar nossa administração e nossa estratégia de negócios e o resultado das decisões que exijam a maioria dos acionistas, inclusive incorporações, aquisições, alienações de parte ou da totalidade de nossos ativos e cancelamento da listagem de nossas Ações no Novo Mercado. As decisões de nossos acionistas controladores sobre essas e outras questões podem ser contrárias às expectativas ou preferências de nossos acionistas minoritários.

Poderá ser necessário levantar capital adicional por meio da emissão de ações de nosso capital social ou valores mobiliários conversíveis em ações de nosso capital social, o que poderá resultar na diluição das posições acionárias dos investidores emnosso capital social.

Poderemos necessitar levantar capital adicional por meio da colocação pública ou privada de ações ou valores mobiliários conversíveis em ações, e nosso conselho de administração poderá optar por aumentar nosso capital social sem a oferta do direito de preferência aos seus atuais acionistas. Segundo a legislação brasileira, qualquer financiamento por meio da oferta pública de ações ou valores mobiliários conversíveis em ações poderá ser conduzido nos termos da lei brasileira, sem direito de preferência aos acionistas existentes, inclusive aos nossos investidores, o que poderá resultar na diluição de sua participação em nosso capital social.

Os titulares de nossos acionistas poderão não receber nenhum dividendo ou juro sobre o capital próprio.

Segundo nosso Estatuto Social, somos obrigados a pagar a nossos acionistas pelo menos 25% de nosso lucro líquido anual ajustado não consolidado sob a forma de dividendos ou juros sobre o capital próprio, calculados e ajustados de acordo com a legislação societária brasileira (vide o item 3.4 deste Formulário de Referência). No entanto, todo ou parte do lucro líquido anual não consolidado pode ser capitalizado, ou ser retido por qualquer outra forma permitida pela legislação societária brasileira, e podemos ser incapazes de distribuir os dividendos ou juros atribuíveis ao capital dos acionistas. Vale notar ainda que a legislação societária brasileira permite o não pagamento dos dividendos obrigatórios em qualquer exercício se, durante a assembleia geral ordinária, nossos administradores informarem aos acionistas que tal distribuição seria desaconselhável em vista da nossa condição financeira.

As proteções concedidas a nossos acionistas minoritários, nos termos da legislação brasileira e nosso Estatuto Social, são diferentes daquelas costumeiras em outras jurisdições, tal como a França ou Estados Unidos e podem sermais difíceis de serem exequíveis emjurisdições estrangeiras.

Segundo a legislação brasileira e nosso Estatuto Social, as proteções concedidas aos acionistas minoritários são diferentes daquelas costumeiras em outras jurisdições. As regras previstas na legislação brasileira aplicáveis a eventuais disputas entre nós, nossas subsidiárias, nossos administradores, são distintas das regras aplicáveis em outras jurisdições. Além disso, os procedimentos para a abertura de um processo judicial por um acionista, como uma derivative action (ação de responsabilidade movida por acionista), diferem daqueles com os quais os investidores estrangeiros possam estar familiarizados em seus países de origem. Além disso, segundo nosso Estatuto Social, os acionistas devem comprometer-se a solucionar as disputas sobre nós e nossa administração em relação a diversas questões, por meio de juízo arbitral (veja o item 12.5 deste Formulário de Referência). Como resultado, pode ser mais difícil para nossos acionistas minoritários fazerem valer seus direitos contra nós ou nossos administradores, do que para acionistas de companhias localizadas em outras jurisdições – que não o Brasil.

Os titulares de nossos valores mobiliários domiciliados fora do Brasil podem enfrentar dificuldades para nos entregar intimações judiciais ou executar sentenças contra nós e outras pessoas.

Somos uma sociedade por ações constituída segundo a legislação brasileira e determinados membros de nosso conselho de administração e diretores executivos residem ou estão baseados no Brasil e em outros Países. Como resultado, talvez não seja possível a intimação de nossa companhia, nossos acionistas ou administradores nos Estados Unidos, na França ou em outros países que não o Brasil, conforme o caso, ou executar sentenças judiciais contra nós, nossos acionistas ou administradores obtidas em outros países que não o Brasil ou a França, conforme o caso. Como as sentenças dos tribunais norte-americanos sobre responsabilidade civil baseadas na legislação federal dos EUA sobre títulos e valores mobiliários somente podem ser executadas no Brasil se forem atendidas determinadas condições, para proteger seus interesses em caso de medidas tomadas por nós, nossos acionistas ou nossos administradores, o investidor pode enfrentar mais dificuldades do que os acionistas de uma empresa sediada nos Estados Unidos, na França ou em outros países que não o Brasil.

Somos uma empresa de participações e dependemos dos resultados de nossas subsidiárias, de forma que não é possível assegurar que receberemos a distribuição de seus resultados.

Somos uma empresa de participações e nossas subsidiárias operacionais conduzem todas as nossas operações e possuem todos os nossos ativos operacionais. Nossas subsidiárias estão constituídas e têm operações em várias jurisdições diferentes. Nossa capacidade de honrar nossas obrigações financeiras e distribuir dividendos a nossos acionistas depende do fluxo de caixa e dos lucros de nossas subsidiárias, bem como da distribuição de tais lucros na forma de dividendos ou outras distribuições. A capacidade de nossas subsidiárias para efetuar distribuições pode ser restringida, pelas leis e regulamentos da jurisdição onde foram constituídas. Essas restrições poder reduzir o valor das distribuições recebidas de nossas subsidiárias, o que, por sua vez, restringiria nossa capacidade para financiar nossas operações e pagar dividendos sobre nossas ações. Não é possível assegurar que tais fundos estarão a nossa disposição nem que serão suficientes para honrar nossas obrigações financeiras e distribuir dividendos a nossos acionistas.

Estamos sujeitos à indisponibilidade ou a preços mais altos de matérias-primas adquiridas de nossos fornecedores.

Os preços das principais matérias-primas usados em nossas operações, incluindo cana-de-açúcar, grãos e tubérculos, estão sujeitos a variações sensíveis, incluindo, porém não se limitando à superfície plantada, ao rendimento agrícola, safras, condições de colheita e climáticas e o valor de mercado de nossos co-produtos. Em alguns casos, devido às fórmulas de precificação dos nossos contratos de vendas, talvez não seja possível repassarmos o valor integral dos aumentos no preço da matéria-prima aos nossos clientes, que poderia reduzir nossa rentabilidade.

No Brasil, o suprimento de cana-de-açúcar pode ser reduzido significativamente na eventualidade de rescisão ou não renovação de acordos de parceria, arrendamento de terras e contratos de fornecimento firmados com proprietários de terras ou produtores de cana-de-açúcar. Atualmente, aproximadamente dois terços da cana-de-açúcar que processamos no Brasil são adquiridos de diversos fornecedores - o maior deles responde por apenas 4% de nosso volume anual de compras, e os quatorze maiores fornecedores em conjunto correspondem a aproximadamente 25% do nosso fornecimento total. Assim, não é possível assegurar que nosso suprimento dessa matéria-prima não seja interrompido nem que nossos contratos de fornecimento ou de arrendamento/parceria não venham a ser rescindidos.

Se nosso suprimento de cana-de-açúcar for interrompido ou se qualquer de nossos contratos de parceria ou de arrendamento de terras vier a ser rescindido, podemos vir a ser obrigados a pagar preços mais elevados por essa matéria-prima, ou reduzir o volume processado, circunstâncias estas, que poderiam afetar de forma material adversa nossos negócios e resultados de operações.

No Brasil, os preços da cana-de-açúcar também podem aumentar em função da alteração dos critérios definidos pelo Conselho dos Produtores de Cana, Açúcar e Álcool (CONSECANA) do Estado de São Paulo, formado por produtores de cana-de-açúcar e usinas açucareiras. O preço da cana-de-açúcar definido nos contratos de fornecimento, arrendamento e parceria é parcialmente fixo e parcialmente variável, de acordo com os critérios definidos pelo CONSECANA. Como resultado, quaisquer mudanças nos critérios definidos pelo CONSECANA podem levar ao aumento nos preços que pagamos pela cana-de-açúcar e podem afetar materialmente e adversamente nossos negócios e resultados de operações.

Na Europa, os nossos custos de compra de matérias-primas, que são principalmente influenciados pelos preços do trigo e do milho, são responsáveis por 50% a 60% dos custos dos nossos produtos, e na mesma linha, são também custos de mandioca e milho relacionados a amidos e derivados no Brasil. O preço e a disponibilidade de matérias-primas são profundamente influenciados por condições climáticas, econômicas e industriais. Devido à volatilidade do mercado, não podemos garantir que teremos êxito em passar adequadamente nos custos dos preços de milho e trigo para clientes através de aumentos de preços oportunos, ou que conseguiremos adquirir quantidades de compra de trigo, milho e mandioca suficientes para manter ou aumentar a nossa rentabilidade.

Podemos ser afetados adversamente pela sazonalidade da indústria da cana-de-açúcar.

Nossos negócios estão sujeitos a tendências sazonais baseadas no ciclo de crescimento da cana-de-açúcar na região centro-sul do Brasil, bem como na Ilha da Reunião e na África. Na região centro-sul do Brasil, a safra da cana-de-açúcar começa em abril e termina em dezembro. Isso causa flutuações em nossos estoques de produtos acabados, notadamente açúcar e etanol, e em nossa capacidade de gerar energia, que geralmente atingem seu pico em dezembro, para cobrir as vendas na entressafra (principalmente de janeiro a março) e também afetam nosso fluxo de caixa operacional. Estamos sujeitos a tendências sazonais similares na Ilha da Reunião e em Moçambique, onde a safra de cana-de-açúcar vai de julho a dezembro e de maio a dezembro, respectivamente. Como resultado, os efeitos da sazonalidade afetam nossa condição financeira e, periodicamente, nossa liquidez e necessidades de financiamento.

O uso de produtos derivados de substitutos do açúcar e do amido pode aumentar e, como resultado, a demanda por nossos produtos de açúcar pode diminuir.

Alguns dos nossos produtos competem com produtos praticamente idênticos ou similares, fabricados por outras empresas, incluindo as indústrias de açúcar, amidos e derivados. O açúcar e adoçantes de amido enfrentam a concorrência de alguns tipos de adoçantes como: os adoçantes não nutritivos de alta densidade, como o aspartame, sucralose ou estévia. Acreditamos que o uso de adoçantes alternativos afetou negativamente e pode continuar afetando no futuro a demanda por açúcar, principalmente por parte de engarrafadoras de refrigerantes. Não é possível prever a disponibilidade, desenvolvimento ou uso potencial desses produtos alternativos, mas se seu uso continua a aumentar e, portanto, reduz ainda mais a demanda pelo nosso açúcar e adoçantes de amido, nossa condição financeira e nossos resultados de operações poderão ser materialmente e adversamente afetados.

As preferências do consumidor podem evoluir na direção do menor consumo de açúcar e adoçantes.

Os produtos alimentícios são frequentemente afetados por alterações dos gostos dos consumidores, condições econômicas nacionais, regionais e locais e tendências demográficas. Em muitos países desenvolvidos, as preferências dietéticas dos consumidores evoluem conforme as populações se tornam mais conscientes em relação à saúde, o que resulta em um declínio no consumo geral de alimentos que contenham açúcar e adoçantes. Em função das preocupações com o peso e a higiene dental, os consumidores podem optar por evitar os produtos que contenham açúcar ou outros adoçantes de baixas calorias. Além disso, estão em andamento na Organização Mundial da Saúde e na União Europeia iniciativas em diversos níveis para aprovar legislação de combate à obesidade, principalmente entre as crianças. Quaisquer destas leis poderão limitar a publicidade de produtos que contenham açúcar ou, de alguma outra forma, buscar reduzir a demanda por tais produtos. Qualquer declínio significativo na demanda por açúcar e adoçantes, que não seja contrabalançada pelo aumento das vendas em novos mercados ou por aumento da participação nos mercados existentes, poderá afetar adversamente nossos negócios, nossa condição financeira e nosso resultado operacional.

Podemos ter que indenizar nossos clientes caso nossos produtos não atendam a suas especificações técnicas.

Muitos de nossos produtos, particularmente os de maior valor agregado, são vendidos diretamente a consumidores finais ou usados como ingredientes ou componentes de outros produtos. Podemos estar sujeitos a pedidos judiciais de indenização caso a qualidade de nossos produtos seja baixa e/ou não atenda as especificações técnicas de nossos clientes (particularmente se utilizarem nossos produtos como ingrediente ou componente na fabricação de seus próprios produtos). Nossa cobertura de seguros para esse tipo de litígio pode não ser insuficiente para cobrir todas as perdas relacionadas a tais reclamações. Além disso, tais reclamações podem ser contestadas por nossas seguradoras.

Adicionalmente, e independentemente de quaisquer medidas que tomemos para atenuar os riscos relativos à qualidade de nossos produtos, caso venhamos a ser condenados em última instância por um fato que não esteja coberto por nossas apólices de seguro, ou seja, contestado pela seguradora podemos ter de despender recursos significativos para pagar indenizações, desviando recursos destinados a investimentos planejados, o que poderá ter um efeito material adverso sobre nossos negócios e condição financeira.

Vendemos etanol a uma quantidade pequena de clientes, que podem ser capazes de exercer poder de barganha significativo emrelação aos preços e outras condições de venda.

Uma parcela substancial de nossa produção de etanol é vendida para uma quantidade pequena de clientes, e podem exercer poder de barganha significativo sobre os preços e outras condições de vendas. Se nossos principais clientes reduzirem substancialmente suas compras de etanol, nossos negócios, nossa condição financeira e nosso resultado operacional poderão ser afetados de forma material adversa.

Risco relacionado com o não pagamento por parte dos clientes e para a aplicação de determinadas especificações do contrato.

Embora a maioria de nossos principais clientes seja empresas bem estabelecidas no setor de agronegócios, alimentos e combustíveis, nenhuma garantia pode ser dada se estes clientes irão satisfazer as suas obrigações contratuais no atual ambiente econômico adverso, ou se alguns deles não serão objetos de processo de falência ou de liquidação, dada a atual desaceleração econômica. Além disso, alguns de nossos contratos preveem por questões de força maior isenções para os benefícios dos clientes e / ou obrigações de vendas mínimas sujeitas a penalidades por nós.

Portanto, se nossos clientes descumprirem suas obrigações contratuais de pagamento, ou uma das disposições contratuais acima mencionadas ou uma disposição equivalente é acionado, isso poderia acarretar em um efeito material adverso sobre nossos negócios, situação financeira ou os resultados das operações, ou em sua capacidade de alcançar as metas.

Compramos e vendemos produtos emmercados de commodities que são altamente cíclicos.

Vendemos produtos, incluindo açúcar, álcool e etanol, energia e derivados de amido, em mercados de commodities que têm sido historicamente cíclicos e sensíveis a alterações de oferta e demanda internacional e doméstica. Também dependemos da compra de cana-de-açúcar, grãos e tubérculos, cujos preços podem flutuar significativamente, para produzir nossos produtos. Os produtos que compramos e vendemos estão sujeitos a flutuações de preços ditadas pelo mercado e essas flutuações podem afetar adversamente nossos negócios e resultados de operações. Inúmeros fatores, muitos dos quais estão fora de nosso controle, contribuem para a variação dos preços da cana-de-açúcar, grãos e tubérculos que compramos e do açúcar, do álcool e etanol, da energia e derivados de amido que vendemos, incluindo:

•a oferta e a demanda no mercado doméstico e no mercado internacional;

•as condições climáticas e desastres naturais;

•nossa capacidade produtiva, bem como a de nossos concorrentes;

•políticas de produção, comercialização, exportação e consumo destes produtos;

•disponibilidade e custo de produtos alternativos aos nossos (tais como a gasolina e adoçantes artificiais no caso do etanol e do açúcar, respectivamente);

•políticas governamentais, bem como, regulamentações, incentivos e subsídios governamentais;

• tarifas e restrições à importação;

•especulação em relação aos preços futuros destes produtos ou matérias-primas; e

•desenvolvimento das negociações de comércio bilaterais e multilaterais.

Nossas matérias-primas são vulneráveis a fatores fora de nosso controle e podemos ser incapazes de repassar aos preços de nossos produtos os aumentos no custo das matérias-primas agrícolas.

Nossas principais matérias-primas são produtos agrícolas como cana-de-açúcar, cereais e tubérculos. Como a maioria das demais culturas, esses produtos são afetados pelas condições climáticas, qualidade do solo, aparecimento de doenças e ataques de parasitas. Eles também são suscetíveis a perdas decorrentes de condições hídricas extremas, como secas ou inundações. Se as condições de cultivo forem menos favoráveis do que o previsto, a quantidade e qualidade produzida pode ser insuficiente para as necessidades de processamento e podemos ser forçados a pagar preços mais elevados pela aquisição das matérias-primas necessárias. Uma redução significativa na quantidade ou qualidade da cana-de-açúcar ou dos cereais colhidos, decorrente de condições de cultivo adversas, também pode resultar em aumento no custo unitário de processamento e em queda da produção, que podem causar efeito material adverso sobre nós e nossa condição financeira se não conseguirmos repassar esses custos aos nossos clientes através dos preços dos nossos produtos.

Além disso, doença ou praga que afete as lavouras poderá ter efeito devastador sobre nossas culturas, reduzindo potencialmente a produtividade da cana-de-açúcar e a quantidade de produto final. Mesmo quando apenas uma parcela da safra é prejudicada, nossos negócios e condição financeira poderão ser materialmente e adversamente afetados, porque podemos ter incorrido em uma parcela substancial do custo de produção da safra afetada. O custo de tratamento de doenças agrícolas tende a ser elevado. Qualquer incidência séria de doenças ou pragas poderá afetar materialmente e adversamente nossos níveis de produção e, por consequência, nossas vendas líquidas e nossa condição financeira global.

Na Ilha da Reunião, a temporada de furacões normalmente vai de dezembro a abril, que se sobrepõe parcialmente à temporada de cultivo da cana-de-açúcar. Não é possível prever quando eles vão ocorrer e se a ocorrência de um furacão poderia reduzir nossa safra e afetar nossos níveis de produção. O último grande furacão a atingir Ilha da Reunião foi o ciclone Gamede, em fevereiro de 2007, que reduziu a safra de cana-de-açúcar em cerca de 14%, em comparação com a média dos últimos 10 anos. Nosso seguro de riscos gerais cobre os danos causados por furacões, mas a franquia incidente é calculada como 3% do sinistro ou perda de negócios, e não um montante fixo. Como resultado, podemos ter de vir a arcar com uma franquia maior na eventualidade de danos causados por furacões.

Além das condições adversas acima mencionadas, programas e políticas governamentais, custos de energia e oferta global, entre outros fatores, têm causado volatilidade na oferta e nos preços desses produtos agrícolas. Como resultado, mudanças em qualquer desses fatores poderão elevar nossos custos ou reduzir a produção de açúcar, amido, derivados e etanol. Devido à concorrência local e internacional, poderemos não ser capazes de repassar aos preços de nossos produtos os aumentos no custo das matérias-primas agrícolas, o que poderá ter efeito material adverso sobre nossos negócios, nossa condição financeira e rentabilidade.

O setor de açúcar e etanol é extremamente competitivo.

A concorrência nas indústrias de açúcar e etanol é intensa e baseada, em grande parte, no serviço ao cliente, preço e confiabilidade. Buscamos diferenciar nossos produtos de açúcar pela promoção de marcas com reputação de qualidade enquanto o setor de etanol é mais assemelhado a um mercado de commodities. Como resultado, podemos ser incapazes de proteger nossa posição de mercado pela diferenciação de produto e de repassar os aumentos de custos aos preços de nossos produtos. Diferenças na proximidade aos diversos mercados geográficos também resultam em diferença nos custos de frete e entrega, o que pode tornar nossos custos mais altos que os de concorrentes localizados mais próximos de seus clientes ou que se beneficiem de redes de distribuição melhores. Nossos concorrentes podem ter custos menores ou contar com mais recursos financeiros, tecnológicos ou ter outras vantagens competitivas. Além disso, eles podem ser capazes de reagir mais rapidamente do que nós a tecnologias novas ou emergentes ou a exigências dos clientes. Em alguns mercados, diversas barreiras regulatórias e tarifárias, incluindo a concessão de subsídios, tornam mais difíceis a exportação de produtos. Embora nossa presença internacional e investimentos significativos na produção nos levem a crer que podemos concorrer com sucesso com outros produtores de destaque, o aumento da concorrência e a pressão sobre os preços poderão ter efeito relevante adverso sobre nossos negócios, nossa condição financeira e nossa rentabilidade.

Os preços do etanol flutuam emreação a diversos fatores que estão fora de nosso controle.

Os preços internos do etanol são influenciados pela oferta e demanda de gasolina. O etanol anidro é comercializado como aditivo para reduzir as emissões de gases poluentes dos veículos movidos à gasolina, e melhorar a octanagem da gasolina à qual é adicionado, enquanto o etanol hidratado é utilizado diretamente nos motores dos veículos, como combustível renovável. No Brasil o etanol é, ao mesmo tempo, um produto complementar e um substituto para a gasolina. Se ocorrer uma diminuição na demanda por gasolina, a demanda pelo etanol como aditivo e para aumento de octanagem (anidro) também recuará, enquanto a demanda por etanol hidratado aumentará. Como o etanol é também um substituto da gasolina nos veículos flex e nos veículos a etanol, seus preços apresentam correlação positiva com os da gasolina. Entretanto, são normalmente limitados à razão de 70% entre os preços do etanol hidratado e da gasolina, na bomba de combustível, determinada pelo poder energético de ambos os combustíveis.

O preço do etanol também está correlacionado com a capacidade produtiva instalada disponível nos países produtores, incluindo os Estados Unidos. Nos últimos anos, foram instaladas capacidades de produção de etanol para atingir as metas de produção de etanol para 2015. É possível que parte do excedente de etanol produzido em relação a esses alvos seja exportada para os países onde operamos, o que poderia impactar negativamente os preços locais do etanol. Adicionalmente, os avanços tecnológicos, disposições regulamentares ou alterações nos hábitos de consumo podem reduzir a demanda por etanol no Brasil, nos Estados Unidos, na União Europeia ou em outros países. Além disso, qualquer alteração nessas políticas governamentais em relação ao uso do etanol, redução na porcentagem de etanol anidro adicionado obrigatoriamente à gasolina ou aumento no uso do gás natural ou de outros combustíveis alternativos, poderá afetar a demanda por etanol. Atualmente, a proporção de mistura de etanol anidro na gasolina no Brasil é de 25%.

Novas regulamentações e pressões para liberalizar a política agrícola europeia pode levar a uma redução significativa ou cancelamento dos direitos de importação a médio ou longo prazo, o que poderia aumentar as importações na Europa.

Ademais, uma queda no preço do etanol devido a um ou mais dos fatores acima descritos poderá causar efeito material adverso em nossas margens de lucro e, consequentemente, nossos negócios, condição financeira e resultado operacional.

Podemos ser prejudicados pela concorrência de combustíveis, produtos e métodos de produção alternativos, bem como com os combustíveis tradicionais.

No mercado de biocombustíveis, o etanol compete com outros combustíveis tradicionais bem como com outros que ainda estão em desenvolvimento. Além do biodiesel, enfrentamos a concorrência de produtores de metanol e o butanol de biomassa. Devido a custos de produção menores, maiores benefícios ambientais ou outras características mais favoráveis, outros combustíveis alternativos podem, no médio e longo prazo, vir a ser mais bem sucedidos no mercado do que o etanol. Além disso, os combustíveis alternativos também podem beneficiar-se de incentivos tributários ou outro tratamento favorável por parte do governo, o que poderá ocorrer em detrimento ao etanol. Os concorrentes poderão obter uma vantagem, desenvolvendo ou utilizando novos produtos e métodos de produção, lançando novos produtos no mercado antes que o façamos, ou assegurando direitos exclusivos a novas tecnologias, prejudicando, assim, nossa competitividade se não conseguirmos identificar e nos adaptar aos novos desdobramentos no campo de combustíveis, produtos e métodos de produção alternativos em um estágio suficientemente precoce.

Além disso, o etanol compete com combustíveis tradicionais, cujos preços e disponibilidade podem influenciar a demanda por nossos produtos.

A consolidação de concorrentes ou clientes na indústria poderia enfraquecer nossa posição no mercado.

Os concorrentes e clientes têm se consolidado nos últimos anos, aumentando sua posição competitiva no setor. A consolidação gerou diversos benefícios, como a expansão de sua carteira de produtos, acesso maior ou melhor a diversos mercados, aumento do poder de compra e desenvolvimento de economias de escala. Uma maior consolidação poderá aumentar sua vantagem de negociação perante nós, o que poderá reduzir nossa rentabilidade. Além disso, se algum dos nossos clientes for adquirido por uma empresa que mantém um relacionamento com um de nossos concorrentes, nós corremos o risco de perder o cliente, resultando em efeito adverso significativo em nossos negócios, nossas condições financeiras e rentabilidade.

Nossos negócios estão sujeitos à regulamentação governamental.

Nossas operações estão sujeitas a diversas leis e regulamentos supranacionais (como da União Europeia), nacionais, estaduais e municipais, em todos os países em que atua, sobretudo nas áreas ambiental, trabalhista, saúde e segurança do trabalho e regulatórias, dentre as últimas citamos as regras emitidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), no Brasil, e da Direction Générale des Douanes et Droits Indirects (DGDDI) e pela France Agrimer (Agência Nacional para Atividades Agrícolas), entre outras entidades, na Europa.

Investimos recursos financeiros e gerenciais para cumprir essas leis e respectivas exigências de autorização e licenciamento. Se elas não forem cumpridas, poderemos receber multas ou penalidades, estar sujeitos à ações indenizatórias por danos morais ou materiais, revogação ou suspensão de nossos registros, autorizações e licenças, o que poderá resultar em interrupção temporária ou descontinuidade das atividades em nossas unidades produtoras, bem como afetar negativamente nossos negócios, nossa condição financeira e nossos resultados de operações. Além disso, se estas regras, ou sua interpretação ou execução, se tornarem mais severas no futuro, poderemos ser obrigados a incorrer em custos operacionais ou de capital superiores aos inicialmente previstos.

Estamos sujeitos a mudanças nas políticas locais ou regionais em termos de utilização dos nossos produtos em diferentes mercados, o que pode influenciar na autorização de alguns de nossos produtos, ou no volume permitido para uso, conforme proscrito pela European Food Safety Agency, ou pela FDA: American Food and Drug Administration). Um exemplo desse tipo de regulamentação é o Regulamento da União Europeia sobre o Registro, Avaliação, Autorização e Restrição de Produtos Químicos, REACH (EC1907/2006), que entrou em vigor em 2007.

Políticas e regulamentos governamentais que afetem o agronegócio e setores relacionados podem impactar negativamente nossas margens e lucratividade.

A produção agrícola e os fluxos comerciais são afetados significativamente pelas políticas e regulamentos governamentais. Políticas governamentais que afetem o setor agrícola, como impostos, tarifas, direitos alfandegários, subsídios e restrições à importação e exportação de produtos agrícolas e outras mercadorias podem influenciar a lucratividade do setor. Essas políticas e regulamentos afetam também a decisão de cultivar determinadas culturas, a localização e tamanho das lavouras, a negociação de commodities processadas e não processadas, e o volume e tipo de importações e exportações.

Mudanças nas políticas governamentais que afetem o agronegócio nos países onde operamos podem influenciar negativamente a oferta, demanda e preços de nossos produtos, e restringir nossa capacidade de fazer negócios em nossos mercados existentes e mercados alvo, prejudicando nossos resultados de operações.

Leis e regulamentos ambientais impõem custos de difícil previsão e podem determinar a modificação de nossas instalações e processos de produção.

Nossas operações estão sujeitas a diversas leis e regulamentos ambientais supranacionais (como da União Europeia), nacionais e locais, em todos os países em que atuamos, particularmente em relação à criação, funcionamento e fechamento de instalações, emissões no ar, água e solo, materiais perigosos, descarte de detritos perigosos e controle de odores e ruídos. No passado, incorremos em custos significativos para cumprir tais leis e regulamentos quando de sua adoção, e planejamos continuar investindo os recursos necessários para atuarmos em conformidade com a regulamentação ambiental. Verificamos regularmente a conformidade de nossas instalações e acreditamos estar cumprindo todas as leis e regulamentos ambientais pertinentes em todos os seus aspectos materialmente relevantes.

A falta de cumprimento das leis e regulamentos ambientais podem acarretar multas substanciais, sanções penais, revogação de alvarás de funcionamento e fechamento de nossas instalações, além da responsabilização civil e penal pelos danos ambientais, inclusive relacionados com ativos que não sejam mais nossos e atividades que tenham sido descontinuadas. Os danos ambientais podem levar à responsabilidade conjunta e solidária de todas as partes direta ou indiretamente envolvidas, independentemente de prova da culpa individual. Isto implica que podemos vir a ser responsabilizados por danos ambientais causados por terceiros contratados por nós. Podemos incorrer em custos substanciais por responsabilidades decorrentes da exposição, ou liberação de substâncias perigosas. Podemos também vir a constatar problemas ou condições ambientais atualmente desconhecidos. Em algumas circunstâncias, segundo tais leis e regulamentos, podemos ser obrigados a pagar multas, indenizar ou empreender ações corretivas, mesmo que tenhamos exercido a devida cautela na condução de nossas operações. Nossa unidade produtora em Origny (DVO), que compartilha licenças ambientais com outras instalações da Tereos, que não são parte de nosso grupo, mas estão situadas no mesmo local, pode ser afetada adversamente pelo descumprimento das leis e regulamentos ambientais por parte dessas outras instalações ou sua falha em manter suas licenças. As autoridades regulamentares também podem exigir que façamos investigações e tomemos providências corretivas, reduzamos nossas operações ou fechemos instalações temporária ou definitivamente. Na eventualidade de um acidente ou outro incidente, poderíamos estar sujeitos também a pedidos de indenização por danos pessoais, materiais ou ao meio ambiente.

Além disso, a regulamentação de emissões de gases do efeito estufa está aumentando em todo o mundo. A União Europeia determinou cotas de dióxido de carbono para as indústrias europeias, a fim de limitar as emissões de gases do efeito estufa e cumprimento do Protocolo de Kyoto. Nossas fábricas europeias receberam a alocação das cotas de emissão de carbono de que necessitam atualmente, mas as regras de alocação serão modificadas a partir de 2013, nos termos da Fase III do Esquema de Negociação de Emissões Europeias, quando as cotas de gases do efeito estufa passarão a ser concedidas por meio de um sistema de leilões. Nenhuma cota de CO2 será concedida para eletricidade.

As cotas de CO2 sem calor serão concedidas com base em referências. A partir de 2013, as novas regras de alocação da fase III do ETS Europeu e seu impacto de mercado podem aumentar nossos custos. No Brasil, as regras de implementação do Protocolo de Kyoto preveem que os créditos de emissão de carbono sejam acumulados em bases anuais e possam ser transferidos para outras instalações produtivas ou transportados para exercícios subsequentes. Atualmente, nossas operações brasileiras tem ocasionalmente vendido os respectivos excessos de créditos de carbono, mas isso pode vir a mudar no futuro. Consequentemente, não é possível assegurar que, no futuro, não será necessário adquirir cotas de dióxido de carbono no mercado, tanto na União Europeia quanto no Brasil, caso nossas alocações diminuam ou nossas necessidades aumentem. O custo da compra de cotas pode afetar adversamente nossa condição financeira e nossos resultados de operações.

Tanto nos países desenvolvidos quanto nos países em desenvolvimento, a legislação ambiental tornou-se progressivamente mais rígida, algumas vezes de forma bastante rápida. Se as leis e regulamentos ambientais dos países onde atuamos forem fortalecidas rapidamente no futuro, a extensão e o momento dos investimentos necessários para conformidade podem ser diferentes do previsto em nosso planejamento interno e limitar a disponibilidade de financiamento para outros investimentos. Adicionalmente, se os custos de conformidade com as leis e regulamentos ambientais continuarem a aumentar e não for possível incorporar esses custos adicionais ao preço de nossos produtos, qualquer de tais mudanças pode reduzir nossa lucratividade. O custo de conformidade com a legislação ambiental, a descoberta de problemas ou condições ambientais atualmente desconhecidos, mudanças nas leis e regulamentos ambientais ou outros eventos imprevistos podem afetar negativamente nossos negócios, nossa condição financeira e nossos resultados de operações.

As leis e regulamentos governamentais brasileiros que regem a queima da cana-de-açúcar e a manutenção de áreas de reserva florestal poderão ter um efeito adverso significativo sobre nossos negócios ou desempenho financeiro.

O Estado de São Paulo e alguns governos municipais criaram leis e regulamentos que limitam ou proíbem completamente a queima da cana-de-açúcar. Existe a possibilidade de que regulamentos cada vez mais severos relativos à queima da cana-de-açúcar sejam implementados pelo governo do Estado de São Paulo e outras agências governamentais no futuro próximo, o que exigiria o aumento dos investimentos planejados em equipamento de colheita, limitando nossa capacidade de financiar outros investimentos. Além disso, o Estado de São Paulo impôs aos agricultores a obrigação de dedicar uma determinada porcentagem das terras usadas no cultivo de cana-de-açúcar ao reflorestamento ou manutenção de florestas nativas. É difícil prever o custo de reservar essas terras, e isso pode aumentar o custo da cana-de-açúcar própria, bem como a que adquirimos de terceiros. Como resultado, é provável o aumento no custo para cumprir leis e regulamentos novos ou existentes e, portanto, nossa capacidade de operar nossas próprias unidades produtoras e cultivar nossa própria cana-de-açúcar poderá ser afetada de forma adversa.

Qualquer falha no cumprimento dessas leis e regulamentos poderá sujeitar-nos a processos jurídicos e administrativos. Esses processos podem resultar em penalidades civis ou criminais, inclusive o pagamento de multas que podem variar de R$5 a R$50 milhões e dobrar ou triplicar em caso de reincidência e uma obrigação de fazer investimentos e incorrer em outros gastos ou de alterar significativamente algumas operações, ou até mesmo de encerrá-las.

A produção de etanol, amido e adoçantes e açúcar está sujeita a regulamentações locais, nacionais ou internacionais.

Nossas unidades produtoras estão sujeitas a regulamentações internacionais, nacionais ou locais que regem a produção, processamento e armazenagem de produtos perigosos. Os operadores dessas instalações estão sujeitos a regulamentos que determinam maiores obrigações e responsabilidades. Mesmo que cumpramos com esses regulamentos, podem ocorrer, de todo modo, acidentes ou distúrbios intencionais que gerem danos extensos. Se ocorrer um acidente em uma de nossas instalações classificadas ou em qualquer outra usina de produção operada por nós, podemos incorrer em responsabilidades significativas, inclusive danos, efetivos ou alegados, pessoais e materiais ou a recursos naturais. Em particular, a produção e transporte de etanol pode resultar em derramamento ou liberação de substâncias perigosas, o que pode levar a queixas das autoridades governamentais ou de terceiros. Outros exemplos desses acidentes incluem, entre outros, explosão de pó ou hidrogênio na produção de amido, adoçantes e derivados. Um acidente em uma de nossas instalações pode também forçar-nos a suspender nossas operações e resultar em custos de recuperação e perda de receitas significativas. Se disponíveis, as indenizações de seguro podem não ser recebidas tempestivamente e podem ser insuficientes para cobrir todas as perdas, inclusive os lucros cessantes. Qualquer de tais eventualidades pode ter efeito relevante adverso sobre nossos negócios, resultado operacional e condição financeira.

Adicionalmente, em junho de 2013, o Conselho de Ministros, o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia chegaram a um acordo sobre a reforma do atual regime de açúcar da União Europeia. O atual regime de quotas está prorrogado até setembro de 2017. Após essa data, o teto dos volumes de vendas na Comunidade Europeia sob o regime de quota existente para adoçantes à base de amido (que está atualmente fixado em 0,7 milhão de toneladas) e açúcar não será mais aplicado.

As propriedades que estão sujeitas a arrendamentos e parcerias agrícolas poderão ser alvos de movimentos sociais.

Movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e a Comissão Pastoral da Terra, são ativos no Brasil e atualmente exigem que o Governo Federal efetue uma reforma agrária e a redistribuição compulsória das terras. Invasões e ocupações de terrenos agrícolas por grande número de participantes desses movimentos são comuns e, em algumas áreas, os proprietários não contam com a proteção efetiva da polícia nem com procedimentos eficientes de reintegração de posse. Não é possível assegurar que as propriedades agrícolas em que é produzida a cana-de-açúcar não estejam sujeitas a invasão ou ocupação por grupos desse tipo. Qualquer invasão, ocupação ou desapropriação dessas propriedades pode afetar adversamente nossas lavouras e o fornecimento à nossas unidades produtoras e, consequentemente, ter efeito adverso significativo sobre nossos negócios e resultados de operações.

Alterações recentes na interpretação das regras relativas à aquisição ou exploração de imóveis rurais por empresas brasileiras de controle estrangeiro podem afetar negativamente nossa capacidade de desenvolver nossas atividades no Brasil.

Somos uma empresa brasileira controlada por estrangeiros e nossas operações no Brasil dependem significativamente da exploração de imóveis rurais para a produção de cana-de-açúcar. Desta forma, mudanças das regras existentes que restrinjam ou limitem as áreas em que podemos desempenhar tais atividades, pelo fato de nossos acionistas controladores serem estrangeiros, poderão causar efeitos materialmente adversos ou nos obrigarem a rever nossas operações no Brasil.

No Brasil, a aquisição ou exploração de imóveis rurais por estrangeiros é regulamentada pela Lei nº 5.709/71. A referida lei contém uma série de restrições para que os estrangeiros possam adquirir imóveis rurais, tais como: (i) o total da área rural a ser adquirida não poderá exceder 25% da área total de um determinado município, (ii) estrangeiros de mesma nacionalidade não poderão ser proprietários, em um determinado município, de mais de 40% da área total do município; e (iii) a área pertencente a um único proprietário não poderá exceder 50 módulos de exploração indefinida (a unidade de medida definida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), variando de cinco a cem hectares), em uma área contínua ou descontínua, conforme Lei nº 5.709/71, ou 100 módulos de exploração indefinida, conforme Lei nº 8.629/93, conforme o caso. A Lei 8.629/93 estabelece que as mesmas restrições devem ser ainda aplicadas para os estrangeiros arrendatários de imóveis rurais. Por fim, o parágrafo primeiro do Artigo 1 da Lei no 5.709/71 equipara também a estrangeiros as pessoas jurídicas brasileiras que tiverem a maioria de estrangeiros em seu capital social.

A partir da Constituição Federal de 1988, o parágrafo primeiro do Artigo 1 da Lei nº 5.709/71 tornou-se inconstitucional. O entendimento que prevaleceu até agora e orientou todos os negócios foi o de que a disposição da Lei nº 5.709/71 que impunha restrições a empresas brasileiras em função de seu capital seria inconstitucional e, portanto não sendo mais ser aplicada.

Recentemente, em agosto de 2010, a Advocacia Geral da União (AGU) emitiu parecer aprovado pelo Presidente da República e publicado em diário oficial sustentando que discriminação de empresas brasileiras em função da nacionalidade de seus sócios ainda seria válida e, portanto, todos os órgãos vinculados à administração federal deveriam aplicá-la. Tal entendimento teve a adesão do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), cujas determinações vinculam todos os serviços de registros públicos (especialmente registros de imóveis e tabelionatos de notas), que os instruiu a não lavrar escrituras públicas nem registrar a transferência imobiliária nos casos em que o adquirente fosse pessoa jurídica brasileira com maioria do capital ou controle estrangeiro.

A AGU e o CNJ estariam ainda estudando com a CVM e Juntas Comerciais uma forma de impedir a transferência de ações ou registro de alterações societárias que tivessem por finalidade a transferência indireta de imóveis rurais para estrangeiros. Assim, apesar de nem a AGU nem o CNJ terem poderes de revogar ou regulamentar leis, eles são competentes para baixar normas e orientações aos órgãos públicos federais e estaduais que a eles estiverem vinculados.

Nosso modelo de negócio é baseado no uso de imóveis rurais por meio de parceria ou arrendamento rurais com os respectivos proprietários. Entretanto, enquanto não houver uma medida judicial declarando a inconstitucionalidade desta disposição legal ou até a sua revogação expressa por lei, podemos enfrentar dificuldades futuras para desenvolver nossas atividades no Brasil, assim como outras empresas que atuam no mesmo negócio e que tiverem estrangeiros como acionistas ou ações negociadas no exterior.

Estamos sujeitos a riscos relacionados às nossas operações multinacionais que podem prejudicar nossos negócios e resultados de operações.

Com operações na Europa, no Brasil e na África, nossa produção envolve riscos, inclusive naqueles relacionados a mercados emergentes. Nossos negócios e resultados de operações estão sujeitos a variados riscos inerentes à nossa presença internacional, incluindo:

•exposição a condições econômicas locais adversas;

• cumprimento de uma variedade de exigências regulamentares;

• sujeição a múltiplos regimes de tributação, incluindo regulamentações referentes a preços de transferência e imposto de retenção na fonte em remessas e outros pagamentos feitos pelas ou para as subsidiárias ou joint ventures;

•dificuldades em executar os contratos;

•variação nas taxas de câmbio;

•diferenças nas restrições de preço;

• instabilidade política;

•desastres naturais;

• condições climáticas incertas e inconstantes;

• controles de câmbio e restrições à repatriação de fundos;

• restrições à importação; e

•dificuldades para atrair e reter administradores e empregados qualificados;

Estamos expostos a cada risco citado acima, de diferentes níveis, em todas as nossas operações estrangeiras, e nossa exposição a esses riscos poderá afetar materialmente e adversamente nossa condição financeira e resultados de operações em determinados mercados onde o ambiente legislativo e político é menos estável.

Nós e algumas de nossas subsidiárias também podemos conduzir negócios em países que podem ter corrupção governamental. Nós nos comprometemos a atuar de acordo com todas as leis, mas não podemos excluir o risco de que alguma de nossas ações, das ações de nossas controladas ou escritórios, ou de nossos diretores, empregados ou agentes seja entendida como uma violação das leis ou regulamentos aplicáveis. Qualquer violação poderá resultar em substanciais penalidades cíveis ou criminais e poderá afetar materialmente e adversamente nossos negócios, condições financeiras e resultados de operações.

Eventos econômicos, sociais e políticos e a percepção dos riscos em outros países podem afetar o preço de valores mobiliários brasileiros, inclusive o dos nossos valores mobiliários.

O mercado de valores mobiliários emitidos por companhias brasileiras é influenciado, em graus variados, pelas condições sociais, econômicas e de mercado em outros países. Embora as condições econômicas dos outros países possam ser profundamente diferentes das observadas no Brasil, a reação dos investidores aos acontecimentos no exterior pode ter um efeito adverso sobre o valor de mercado dos valores mobiliários de companhias brasileiras, inclusive o preço dos nossos valores mobiliários. Eventos políticos em outros países podem reduzir a demanda dos investidores por valores mobiliários emitidos por companhias brasileiras, inclusive os nossos. Qualquer dos fatores acima pode afetar materialmente e negativamente o preço de mercado de nossos valores mobiliários e prejudicar nossa capacidade de ter acesso ao mercado de capitais e financiar nossas operações no futuro, o que pode restringir nossa capacidade de crescimento.

Alterações nos regulamentos e tratados de comércio internacional poderão impactar o nosso negócio no futuro

Como um importador de suprimentos (incluindo matérias-primas, ingredientes e equipamentos) e um exportador de produtos agregados (açúcar, amido e produtos derivados, álcool e etanol), estamos sujeitos às regras e tratados de comércio internacional. Isso inclui tratados regionais, como os da União Europeia e MERCOSUL, ou acordos bilaterais ou multilaterais envolvendo os países em que operamos. Atualmente, podemos nos beneficiar de regulamentações e tratados comerciais que poderão ser alterados no futuro, o que poderá afetar significativamente nossos negócios, nossa condição financeira e rentabilidade.