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- Principais riscos que a própria Companhia enxerga e assume

PRINCIPAIS RISCOS DA COMPANHIA

Com relação à Companhia

Falhas na tecnologia da informação poderiam prejudicar as operações da Companhia.

A Companhia depende, cada vez mais, de sistemas de tecnologia da informação para processar, transmitir e armazenar informações eletrônicas. Uma parcela significativa da comunicação entre a Companhia, clientes e fornecedores depende da tecnologia da informação. Como ocorre com todos os sistemas desse tipo, os sistemas de informação da Companhia poderão ficar vulneráveis a diversas interrupções devido a eventos fora do controle da Companhia, inclusive, mas sem limitação, desastres naturais, atentados terroristas, falhas nas telecomunicações, vírus de computador, hackers ou outras questões de segurança.

Essas ou outras interrupções similares poderiam perturbar as operações, fluxos de caixa e/ou situação financeira da Companhia.

A Companhia depende da tecnologia da informação para ser capaz de operar de forma eficiente e fazer interface com os clientes, bem como para manter administração e controle internos. A concentração de processos em centros de serviços compartilhados significa que qualquer problema poderia causar impacto em grande parcela dos negócios da Companhia. Caso não sejam alocados, e efetivamente administrados, os recursos necessários à construção e à sustentação da infra-estrutura de tecnologia apropriada, a Companhia poderá ficar sujeita a erros de operação, ineficiências de processamento, perda de clientes, problemas nos negócios, bem como a perda ou dano à propriedade intelectual em razão de quebra de segurança. Como todos os sistemas de tecnologia da informação, o sistema da Companhia também poderia ser invadido por terceiros na tentativa de furto de informações, ou perturbação de processos comerciais. Essas interrupções poderiam prejudicar de forma relevante os negócios, resultados operacionais, fluxos de caixa e situação financeira da Companhia.

A Companhia depende da reputação de suas marcas.

O sucesso da Companhia depende da sua capacidade de manter e aperfeiçoar a imagem e reputação de seus produtos existentes e de desenvolver uma imagem e reputação favoráveis para novos produtos. A imagem e a reputação de seus produtos poderão diminuir no futuro. Adicionalmente, preocupações acerca da qualidade de produtos, mesmo quando infundadas, poderiam prejudicar a imagem e reputação dos produtos da Companhia. Um evento ou uma série de eventos que prejudique de modo relevante a reputação de uma ou mais das marcas da Companhia poderia causar efeito adverso sobre o valor da marca em questão e sobre as receitas advindas da marca ou negócio em questão. A recuperação da imagem e reputação de produtos pode ser dispendiosa e até mesmo impossível. Ademais, os esforços de marketing da Companhia estão sujeitos a restrições ao estilo de propaganda permitida, mídia e mensagens utilizadas. Em muitos países, por exemplo, a televisão é um meio proibido para propaganda de produtos alcoólicos e em outros países, a propaganda na televisão, embora permitida, é criteriosamente regulamentada. Quaisquer restrições adicionais nesses países, ou a introdução de restrições similares em outros países poderão constranger o potencial de construção de marca da Companhia, reduzindo, assim, o valor de suas marcas e receitas correlatas.

Se qualquer dos produtos da Companhia contiver defeito ou ficar constatado que contém contaminantes, a Companhia poderá ficar sujeita a responsabilidades de recall do produto ou responsabilidades de outra natureza.

A Companhia toma precauções para assegurar que suas bebidas estejam livres de contaminantes e que seus materiais de embalagem (tais como garrafas, tampas, latas e outros recipientes) estejam livres de defeitos. Essas precauções incluem programas de controle de qualidade para materiais principais, para o processo de produção e seus produtos finais. A Companhia estabelece procedimentos para corrigir os problemas detectados.

Na hipótese de ocorrer contaminação ou defeito no futuro, tal contaminação ou defeito futuro poderá desencadear interrupções de negócio, recalls de produtos ou mesmo responsabilidade, podendo cada um deles causar efeito prejudicial sobre os negócios, reputação, perspectivas, situação financeira e resultados operacionais da Companhia.

Embora a Companhia mantenha apólices de seguro contra certos riscos de responsabilidade por produto (mas não recall de produtos), a Companhia pode não ser capaz de fazer valer seus direitos no que diz respeito a essas apólices e, na hipótese de ocorrência de contaminação ou defeito, quaisquer valores que a Companhia recupere talvez não sejam suficientes para compensar qualquer dano que possa sofrer, o que poderia causar impacto prejudicial sobre os negócios, resultados operacionais e situação financeira da Companhia.

A Companhia pode não ser capaz de proteger seus direitos de propriedade intelectual.

O sucesso futuro da Companhia depende significativamente da sua capacidade de proteger suas marcas e produtos, atuais e futuros, bem como de defender seus direitos de propriedade intelectual, inclusive marcas, patentes, domínios, segredos de negócio e indústria e know-how. A Companhia obteve a concessão de diversos registros de marca abrangendo suas marcas e produtos, bem como apresentou e espera continuar a apresentar pedidos de registro de marca e patente buscando proteger as marcas e produtos desenvolvidos recentemente. A Companhia não pode garantir que esses registros de marcas e patentes serão expedidos relativamente a qualquer de seus pedidos. Também há risco de que a Companhia poderá, por omissão, deixar de renovar uma marca ou patente em tempo hábil ou de que seus concorrentes contestem, invalidem ou burlem quaisquer marcas e patentes existentes emitidas em seu favor ou licenciadas pela Companhia.

A Companhia colocou em prática ações apropriadas para proteger sua carteira de direitos de propriedade intelectual (inclusive registro de marca e domínio). Contudo, a Companhia não pode ter certeza de que estas medidas serão suficientes para proteger sua carteira de direitos de propriedade intelectual, ou de que terceiros não violarão ou mesmo utilizarão os direitos de propriedade reservada da Companhia. Se a Companhia for incapaz de proteger seus direitos de propriedade reservada contra violação ou uso indevido, esse fato poderá causar efeito prejudicial relevante sobre os negócios, resultados operacionais, fluxos de caixa ou situação financeira da Companhia e, em particular, sua capacidade de desenvolver seu negócio.

A cobertura de seguro da Companhia pode não ser suficiente.

O custo de algumas das apólices de seguro da Companhia pode aumentar no futuro. Ademais, alguns tipos de perdas, tais como perdas decorrentes de guerras, atos de terrorismo ou desastres naturais, via de regra, não são segurados, ou por não haver seguro disponível ou pelo mesmo não poder ser obtido em termos economicamente viáveis. Ademais, recentemente, as seguradoras têm se tornado mais relutantes em segurar esses tipos de eventos. Caso ocorra um evento não segurado ou ocorra uma perda superior aos limites segurados, esse fato poderia causar impacto prejudicial sobre os negócios, resultados operacionais e situação financeira da Companhia.

Os acionistas da Companhia podem não receber quaisquer dividendos.

Nos termos do estatuto social da Companhia, esta deve pagar aos seus acionistas 35% de seu lucro líquido anual ajustado. As principais fontes desses dividendos são fluxos de caixa provenientes das operações da Companhia e dividendos das subsidiárias operacionais da Companhia. O lucro ajustado pode ser capitalizado, utilizado para absorver prejuízos ou destinado de qualquer outra forma permitida de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil e com a legislação societária brasileira. Dessa forma, em determinados exercícios o lucro ajustado poderá não estar disponível para ser pago sob a forma de dividendos.

A Companhia poderá não pagar dividendos aos seus acionistas em qualquer exercício social, mediante a determinação do Conselho de Administração de que tais distribuições seriam desaconselháveis tendo em vista a situação financeira da Companhia. Como a lei não estabelece quais são as circunstâncias que tornam o pagamento de dividendos desaconselhável, aceita-se geralmente que uma companhia não precise pagar dividendos se tal pagamento colocar em risco a própria existência da companhia ou se prejudicar o curso normal de suas operações. Quaisquer dividendos não distribuídos devem ser destinados a uma conta de reserva especial para futuro pagamento aos acionistas, a menos que sejam utilizados para compensar prejuízos subsequentes ou se de outro modo estipulado no estatuto social da Companhia. Desta forma, é possível que os acionistas da Companhia não recebam dividendos em determinados exercícios sociais.

Detentores de ações preferenciais têm direitos de voto limitados.

Das duas classes de ações em circulação da Companhia, somente as ações ordinárias têm plenos direitos de voto. As ações preferenciais de emissão da Companhia adquirirão direitos ilimitados de voto apenas em determinadas circunstâncias, previstas em lei. Consequentemente, os titulares das ações preferenciais da Companhia geralmente não serão capazes de influenciar quaisquer decisões societárias que exijam votos dos acionistas, inclusive a declaração de dividendos.

A Companhia depende de terceiros, inclusive fornecedores importantes, podendo a rescisão ou modificação dos acordos com esses terceiros prejudicar os negócios da Companhia.

A Companhia depende de terceiros, inclusive fornecedores de diversas matérias-primas para produção de cerveja e refrigerantes, bem como de material para embalagem, inclusive latas de alumínio, vidro, barris e garrafas PET. A Companhia busca limitar a exposição a flutuações de mercado para esses suprimentos celebrando acordos de médio e longo prazo, a preço fixo. A Companhia possui um número limitado de fornecedores de latas de alumínio, vidro e garrafas PET. A consolidação do setor de latas de alumínio, vidro e garrafas PET em certos mercados em que a Companhia opera reduziu as alternativas de fornecimento local e aumentou o risco de interrupção desses suprimentos. Embora a Companhia tenha, de modo geral, outros fornecedores de matérias-primas e materiais de embalagem, a rescisão ou alteração de acordos relevantes com alguns fornecedores importantes, discordâncias com fornecedores quanto a condições de pagamento ou outras condições, ou a omissão por parte de um fornecedor importante em cumprir suas obrigações contratuais ou em entregar materiais compatíveis com o uso corrente, exigirá ou poderá exigir que a Companhia compre de fornecedores alternativos, em cada caso, a preços potencialmente mais altos do que aqueles acordados com o fornecedor em questão, podendo esse fato impactar de forma relevante a produção, distribuição e venda de cerveja e refrigerantes da Companhia, bem como prejudicar os negócios, resultados operacionais, fluxos de caixa e/ou situação financeira da Companhia.

Em relação a certos suprimentos de embalagem, matérias-primas e commodities, a Companhia depende de um pequeno número de fornecedores importantes. Caso esses fornecedores fiquem impossibilitados de continuar a atender às necessidades da Companhia, e caso não seja possível desenvolver fontes alternativas de suprimento, as operações e os resultados financeiros da Companhia poderão ser prejudicados.

 

Com relação aos clientes da Companhia

A demanda por produtos da Companhia pode ser prejudicada por mudanças nas preferências e gostos dos consumidores.

A Companhia depende da sua capacidade de atender as preferências e gostos dos consumidores. As preferências e gostos dos consumidores podem mudar de modo imprevisível devido a uma diversidade de fatores, tais como mudanças demográficas, preocupações de saúde dos consumidores com obesidade, atributos e ingredientes dos produtos, mudanças nos padrões de viagem, férias e atividades de lazer, clima, publicidade negativa decorrente de ação ou processo regulatório contra a Companhia ou empresas do mesmo setor, ou desaceleração da economia. Os consumidores também poderão começar a preferir os produtos de concorrentes ou poderão de modo geral reduzir sua demanda por produtos na categoria. A falha da Companhia em prever ou responder adequadamente as mudanças nas preferências e gostos de consumidores poderia causar impacto prejudicial sobre seus negócios, resultados operacionais e situação financeira.

Com relação ao setor de atuação da Companhia

A volatilidade nos preços de commodities poderá afetar negativamente o desempenho financeiro da Companhia.

Uma parcela significativa dos custos de produção da Companhia está diretamente associada a commodities como alumínio, milho, açúcar, lúpulo e cevada, cujos preços flutuaram significativamente nos últimos anos. O aumento nos preços dessas commodities afeta diretamente os custos operacionais. Embora a política atual da Companhia seja o estabelecimento de mecanismos de hedge com relação à exposição a mudanças nos preços das commodities sempre que instrumentos financeiros estiverem disponíveis, a Companhia não poderá garantir que essa prática será possível em todas as ocasiões no futuro.

A concorrência poderá gerar uma redução das margens da Companhia, aumento dos seus custos e diminuição da lucratividade da Companhia.

Globalmente, as cervejarias concorrem principalmente em bases de imagem da marca, preço, qualidade, redes de distribuição e serviço ao consumidor. A consolidação aumentou significativamente a base de capital e o alcance geográfico dos concorrentes em alguns dos mercados em que a Companhia opera, havendo previsão de a concorrência aumentar ainda mais, uma vez que a tendência é da consolidação entre empresas no setor cervejeiro continuar.

A concorrência poderá desviar consumidores e clientes dos produtos da Companhia. A concorrência nos diversos mercados em que a Companhia atua poderá fazer com que a Companhia reduza preços, aumente investimento de capital, aumente gastos com marketing e outros gastos, sem que a Companhia possa, em contrapartida, aumentar preços para recuperar custos mais elevados, acarretando, assim, redução de margens e perda de participação de mercado pela Companhia. Qualquer dos fatos citados acima poderia produzir efeito prejudicial relevante sobre os negócios, situação financeira e resultados operacionais da Companhia. Adicionalmente, a inovação enfrenta riscos inerentes, e os novos produtos que a Companhia venha a introduzir poderão não ter êxito junto aos consumidores e clientes.

Adicionalmente, a ausência de igualdade de condições concorrenciais em alguns mercados e a falta de transparência ou mesmo algumas práticas desleais ou ilícitas, como evasão fiscal, podem distorcer o ambiente concorrencial, gerando efeitos prejudiciais relevantes sobre a lucratividade e a capacidade de operar da Companhia.

Desastres naturais e de outra natureza poderiam perturbar as operações da Companhia.

Os negócios e resultados operacionais da Companhia poderiam ser prejudicados devido a riscos sociais, técnicos ou físicos, tais como terremotos, furacões, inundação, incêndio, falta de energia, falta de abastecimento de água, falhas nos sistemas de tecnologia da informação e telecomunicações, instabilidade política, conflito militar e incertezas decorrentes de atentados terroristas, inclusive desaceleração econômica global, consequências econômicas de qualquer ação militar e instabilidade política correlata.

Publicidade negativa poderá prejudicar o negócio da Companhia.

A cobertura da mídia e a publicidade de modo geral podem exercer influência significativa sobre o comportamento e ações dos consumidores. Se a aceitação social de cervejas ou refrigerantes declinar de modo significativo, as vendas dos produtos da Companhia podem diminuir de modo relevante. Nos últimos anos, houve um aumento da atenção pública e política direcionada aos setores de bebidas alcoólicas e refrigerantes. Essa atenção é o resultado da preocupação pública com os problemas relacionados (i) ao alcoolismo, inclusive dirigir embriagado; (ii) o consumo de bebida por menores de idade; e (iii) problemas de saúde decorrentes do consumo indevido de cerveja e refrigerantes (por exemplo, alcoolismo e obesidade). A publicidade negativa a respeito do consumo de álcool ou refrigerantes ou as mudanças na percepção dos consumidores em relação ao álcool ou refrigerantes de modo geral podem afetar adversamente a venda e o consumo dos produtos da Companhia e podem prejudicar os negócios, resultados operacionais, fluxos de caixa ou situação financeira da Companhia na medida em que os consumidores e clientes venham a alterar seus padrões de compra.

Importantes marcas são utilizadas pela Companhia, suas subsidiárias, associados, joint ventures e também licenciadas a outras cervejarias. Na medida em que a Companhia, uma de suas subsidiárias, associados, joint ventures ou licenciadas ficarem sujeitos a publicidade negativa, e a publicidade negativa fizer com que os consumidores e clientes mudem seus padrões de compra, poderá haver um efeito prejudicial relevante sobre os negócios, resultados operacionais, fluxos de caixa ou situação financeira da Companhia. A publicidade negativa que prejudique de modo relevante a reputação de uma ou mais marcas da Companhia pode ter efeito prejudicial sobre o valor da marca em questão e suas respectivas receitas, o que pode causar impacto adverso sobre os negócios, resultados operacionais, fluxos de caixa e situação financeira da Companhia.

Ciclos de consumo sazonal e condições climáticas adversas podem acarretar flutuações na demanda pelos produtos da Companhia.

Ciclos de consumo sazonal e condições climáticas adversas nos mercados em que a Companhia opera poderão causar impacto sobre suas operações. Esse fato é particularmente verdadeiro nos meses de verão, quando clima inesperadamente frio ou úmido pode afetar os volumes de vendas.

Com relação à regulação do setor de atuação da Companhia

A Companhia está sujeita à regulamentação sobre bebidas alcoólicas nos países em que opera.

As atividades da Companhia são reguladas por leis e regulamentações federais, estaduais, municipais e locais referentes a questões como exigências de licenciamento, práticas comerciais e assuntos correlatos. A Companhia está sujeita a demandas envolvendo alegações de não cumprimento das leis e regulamentos vigentes, as quais podem resultar em multas e outras penalidades. Recentemente, o governo federal bem como alguns estados e municípios brasileiros em que a Companhia atua promulgaram leis restringindo o horário das operações de certos pontos de venda, proibindo a venda e a divulgação de bebidas alcoólicas, inclusive a cerveja, em pontos de venda na beira de estradas e proibindo a venda de refrigerantes em escolas. Além disso, o Congresso Nacional está analisando propostas de regulamentação impondo selos nas latas de cerveja, bem como sobre o consumo, as vendas e a comercialização de bebidas alcoólicas, inclusive cerveja, que, se promulgada, poderá impor restrições à propaganda de bebidas alcoólicas na televisão durante horários específicos do dia, além de restrição aos horários de funcionamento de certos pontos de venda, dentre outros. Essas restrições poderão causar impacto prejudicial sobre os resultados das operações da Companhia. Ademais, a Companhia figura como parte em processos judiciais envolvendo questões relativas à restrições à publicidade de bebidas alcoólicas.

Os aumentos dos impostos incidentes sobre bebidas no Brasil e os altos níveis de evasão fiscal poderão afetar negativamente os resultados e a rentabilidade da Companhia.

Aumentos nos já elevados níveis de tributação no Brasil poderiam produzir um efeito adverso sobre a rentabilidade da Companhia. Aumentos nos impostos sobre bebidas geralmente resultam em preços mais elevados das bebidas para os consumidores. Preços das bebidas mais elevados geralmente resultam em níveis de consumo mais baixos e, portanto, numa menor receita líquida de vendas. Uma menor receita líquida de vendas resulta em margens mais baixas, uma vez que alguns dos custos da Companhia são fixos e, portanto, não variam significativamente com base no nível da produção. Não se pode garantir que o governo não irá aumentar os atuais níveis de tributação, tanto na esfera estadual quanto federal, e que isto não terá efeito sobre os negócios da Companhia. O governo brasileiro propôs reformas fiscais que estão atualmente sendo apreciadas pelo Congresso Nacional, sendo que em novembro de 2008, o Congresso aprovou certas mudanças (com vigência a partir de 1º de janeiro de 2009) à base de cálculo e à alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados e do PIS/COFINS. De acordo com o sistema anterior, tais tributos eram pagos com base em taxa fixa por hectolitro produzido. O novo sistema determina que marcas com preços mais altos paguem impostos mais altos por hectolitro do que aquelas com preços mais baixos baseado na tabela de preço de referência ao consumidor. Em 2011, o governo brasileiro, através de uma pesquisa de preços de bebidas no mercado, atualizou a tabela supracitada, com efeitos a partir de 4 de abril de 2011. Como resultado, o aumento efetivo da nossa carga tributária referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados e ao PIS/COFINS– que, de acordo com o novo sistema, depende do mix de embalagens e marcas da Companhia - foi de aproximadamente 13% para cerveja e bebidas não alcoólicas em média. A Companhia não pode garantir que o governo brasileiro não irá considerar novos aumentos de tributos. Além disso, existe um alto nível de evasão fiscal no setor de bebidas no Brasil. O aumento dos impostos pode resultar no aumento da evasão fiscal, resultando em práticas desleais de preços no setor. O governo federal baixou regulamentações exigindo a instalação obrigatória de sistemas de controle de produção em todas as fábricas de cerveja e refrigerantes para ajudar os governos estadual e federal a combater a evasão fiscal no setor de bebidas. A Companhia não pode garantir que essas regras terão o impacto esperado.

As operações da Companhia estão sujeitas a certas normas ambientais que podem fazer com que a Companhia incorra em custos adicionais, bem como em contingências significativas.

As operações da Companhia estão sujeitas à regulamentação ambiental emanada por órgãos nacionais, estaduais e municipais, inclusive, e em certos casos, a regras que impõem responsabilidade independentemente de culpa. Essa regulamentação poderá acarretar responsabilidade que poderia prejudicar as operações da Companhia. A situação da regulamentação ambiental nos mercados em que a Companhia opera está se tornando mais rigorosa, tendo ocorrido um aumento na fiscalização.

Embora a Companhia tenha constituído provisão para gastos operacionais para manter a observância das leis e regulamentos ambientais, não há nenhuma garantia de que a Companhia não incorrerá em passivos relevantes decorrentes de responsabilidade ambiental ou de que as leis e regulamentos ambientais aplicáveis não mudarão ou tornar-se-ão mais rigorosos no futuro.

A Companhia está sujeita à legislação antitruste do Brasil e de outros países.

A Companhia detém uma participação substancial no mercado brasileiro de cerveja e, portanto, está sujeita às normas brasileiras de direito da concorrência. Além disso, em decorrência da fusão entre a Companhia Cervejaria Brahma e a Companhia Antarctica Paulista Indústria Brasileira de Bebidas e Conexos para criação da Companhia em 1999, a Companhia firmou um termo de compromisso de desempenho com as autoridades de defesa da concorrência brasileiras, o qual exigiu que a Companhia observasse determinadas restrições. Ademais, a Companhia também figura como parte em processos administrativos e judiciais envolvendo questões relativas a práticas anticoncorrenciais. Não se pode garantir que as regulamentações brasileiras de direito da concorrência não afetarão os negócios da Companhia no futuro.

Adicionalmente, a participação da Companhia no mercado argentino de cerveja aumentou substancialmente após a aquisição da participação na Quilmes Industrial Société Anonyme. As operações na Argentina estão sujeitas a certas normas argentinas de direito da concorrência. Não se pode garantir que as regulamentações argentinas de direito da concorrência não afetarão os negócios da Companhia na Argentina no futuro, e que, desta forma, não terão impacto sobre os benefícios que a Companhia previa que fossem gerados por esse investimento.

Com relação aos países estrangeiros onde a Companhia atua

A deterioração nas condições econômicas e de mercado em outros países emergentes podem afetar negativamente o preço dos valores mobiliários de emissão da Companhia.

As condições econômicas e de mercado em outros países emergentes, especialmente aqueles situados na América Latina, influenciam os mercados nos quais as companhias brasileiras emitem valores mobiliários, bem como a percepção, por parte dos investidores, da situação econômica no Brasil. Crises econômicas no passado em mercados emergentes, tais como no sudeste asiático, Rússia e Argentina, provocaram volatilidade no mercado acionário brasileiro e de outros países emergentes. No passado recente, a Argentina, a Venezuela, o Uruguai e o Paraguai vivenciaram uma significativa retração econômica. O valor de mercado dos valores mobiliários da Companhia, pode, portanto, ser afetado por eventos que ocorram fora do Brasil, especialmente em outros países emergentes.

A Zona América Latina Sul está sujeita a riscos substanciais relacionados aos seus negócios e às suas operações na Argentina e outros países onde opera.

A Companhia é titular de 100% do capital social total da Quilmes International (Bermuda) Ltd. (“QIB”), sendo que em 2011 sua receita líquida correspondeu a 16,5% dos resultados consolidados da Companhia.

QIB é uma empresa holding com subsidiárias operacionais na Argentina e em outros países sulamericanos. Consequentemente, a situação financeira e os resultados das operações da QIB podem ser afetados negativamente pela instabilidade política, flutuações na economia e medidas governamentais relacionadas à economia da Argentina e dos outros países em que suas subsidiárias operam, e, consequentemente, afetar os resultados consolidados da Companhia. Por exemplo, em 2002, a Argentina sofreu uma forte instabilidade política e econômica. As atividades comerciais e financeiras ficaram praticamente paralisadas, agravando ainda mais a recessão econômica que precipitou a crise mencionada acima. Seguiu-se uma recessão generalizada em 2002, causando uma redução de 10,9% do PIB efetivo, uma alta taxa de desemprego e de inflação, que resultaram em uma redução da renda disponível e dos salários em termos reais, e, consequentemente, em mudanças no comportamento do consumidor de todas as classes sociais da população argentina. A Argentina começou a se estabilizar em 2003 e continuou exibindo sinais de estabilidade desde 2004. O crescimento real do PIB foi equivalente a 9,7% em 2010 e 6,6% em 2011, sendo que a taxa de desemprego atingiu 7,3% em 2011, comparado à 7.7% em 2010.

Não obstante a atual e continuada estabilização, a situação econômica e social da Argentina deteriorou-se rapidamente no passado, e poderá continuar esse movimento no futuro. A desvalorização do peso argentino e as condições macroeconômicas que prevalecem nesse país podem e poderão continuar exercendo um efeito adverso relevante sobre a QIB e, indiretamente, sobre os resultados de operações da Companhia.

A Companhia tem como prática a análise dos riscos aos quais está exposta e que possam afetar seus negócios, sua situação financeira e os resultados de suas operações de forma adversa. A Companhia está constantemente monitorando mudanças no cenário macro-econômico e setorial que possam influenciar suas atividades, mediante o acompanhamento dos principais indicadores de performance. A Companhia acredita possuir contratos de longo prazo adequados com seus fornecedores, visando evitar qualquer tipo de efeito adverso em suas atividades. A Companhia adota política de foco contínuo na disciplina financeira e na gestão conservadora de caixa. Atualmente, a Companhia não identifica cenário de aumento ou redução dos riscos já existentes e conhecidos.