Braskem
- Principais riscos que a própria Companhia enxerga e assume

Principais riscos da Companhia

A Companhia enfrenta concorrência de produtores de polietileno, polipropileno, PVC e outros produtos petroquímicos.

A Braskem enfrenta concorrência no Brasil de produtores brasileiros e internacionais de polietileno, polipropileno, PVC e outros produtos petroquímicos. Nossas operações nos Estados Unidos enfrentam concorrência naquele país de outros produtores americanos de polipropileno. Nossas operações na Alemanha enfrentam concorrência na Europa e nos outros mercados de exportação que atende por parte de produtores europeus e de outros países produtores de polipropileno. Em geral, os preços de nossos produtos de segunda geração vendidos no Brasil são fixados tomando por referência os preços cobrados por produtores estrangeiros nos mercados internacionais. Os preços do polipropileno vendido nos Estados Unidos são estabelecidos com base nos índices do setor ou em negociações com seus clientes. Geralmente determinamos os preços de nossos produtos de segunda geração exportados do Brasil com base nos preços praticados no mercado à vista internacional. Como resultado da ativação anunciada da nova capacidade de eteno, em particular no Oriente Médio e na China, somado ao aumento da concorrência de produtores de eteno que utilizam gás como matéria-prima nos Estados Unidos, devido a seus custos de matéria-prima relativamente mais baixos, a Administração prevê que poderá enfrentar concorrência cada vez mais intensa de outros produtores de segunda geração, tanto no Brasil como nos mercados estrangeiros nos quais ela vende esses produtos. Adicionalmente, a valorização do real em relação ao dólar norteamericano, como tem ocorrido recentemente, aumenta a competitividade do preço de produtos importados em reais, o que tem causado um aumento na concorrência no Brasil por parte de outros produtores de produtos de segunda geração. Alguns dos concorrentes estrangeiros são empresas substancialmente maiores, que contam com recursos financeiros, produtivos, tecnológicos e de marketing muito superiores aos da Companhia.

Custos mais altos da matéria-prima podem aumentar o custo de vendas e diminuir a margem bruta, afetando negativamente o resultado operacional da Companhia.

A nafta, um derivado do petróleo bruto, é a principal matéria-prima utilizada por nossa Unidade de Insumos Básicos e, indiretamente, por nossas outras unidades de negócios. Em 2011, a nafta respondeu, direta e indiretamente, por cerca de 48,6% dos custos consolidados de vendas e serviços prestados.

A Companhia adquire nafta da Petróleo Brasileiro S.A.— Petrobras (Petrobras) para ser utilizada por sua Unidade de Insumos Básicos a preços baseados em diversos fatores, que incluem (i) os preços da nafta e de uma série de outros derivados de petróleo praticados pelo mercado Amsterdã-Roterdã-Antuérpia (―ARA‖), (ii) a volatilidade dos preços desses produtos nos mercados internacionais, (iii) a taxa de câmbio dólar-real e (iv) o nível de nafta entregue. O preço da nafta comprada de outros fornecedores internacionais também está atrelado ao preço do Mercado ARA, que oscila principalmente de acordo com variações no preço em dólares do petróleo bruto nos mercados internacionais. Em 2011, o preço médio da nafta no Mercado ARA em dólares aumentou 30,6%, passando de US$ 712,98 por tonelada em 2010 para US$ 931,12 por tonelada em 2011. O preço da nafta em dólares apresentou volatilidade em 2011, devido principalmente à especulação e problemas relacionados à oferta no mercado de petróleo, subindo da média de US$ 854,33 por tonelada em janeiro de 2011 para uma média de US$ 1.052,68 por tonelada em abril de 2011, caindo posteriormente para US$ 864,61 por tonelada em novembro de 2011, e voltando a subir para US$ 876,69 por tonelada em dezembro de 2011. A partir de 31 de dezembro de 2011, o preço da nafta em dólares aumentou para uma média de US$ 1.072,85 em março de 2012. O preço da nafta pode manter a trajetória volátil. Além disso, futuras variações no preço do dólar norteamericano podem efetivamente causar um aumento dos custos da nafta em reais. Um aumento da nafta reduziria a margem bruta da Companhia e afetaria negativamente seu resultado operacional, na impossibilidade de repasse desse aumento de custos aos  clientes, reduzindo o volume de vendas.

A agitação social e as mudanças nos regimes políticos no Oriente Médio têm produzido e podem continuar a produzir efeitos negativos na produção de petróleo e na volatilidade dos preços, consequentemente elevando os preços da nafta e de outros produtos petroquímicos no mundo todo. A volatilidade do preço da nafta e a tendência de elevação do preço do petróleo e da nafta têm efeitos na competitividade de preços de nossos crackers derivados de nafta e de nossas resinas. Como as tendências relativas aos preços da nafta, do eteno e do propeno têm oscilado mais em anos recentes do que a média histórica, os produtores de eteno e de produtos de resina derivados de eteno e propeno vêm tendo custos de matéria-prima mais baixos do que os produtores dos mesmos produtos derivados de nafta. Consequentemente, aumentos significativos nos diferenciais de preços entre a nafta e o gás aumenta a competitividade dos produtos derivados de eteno e propeno, e podem resultar em pressões de preço nos mercados internacionais e numa maior vulnerabilidade da Companhia à crescente concorrência no Brasil por parte de produtos importados.

Não fazemos hedge contra variações no preço da nafta, ficando assim expostos a flutuações no preço de nossa principal matéria-prima.

Atualmente, a Companhia não faz hedge de sua exposição à flutuações do preço da nafta, que está vinculado à taxa de câmbio real/dólar. Apesar das tentativas de repassar os aumentos no preço da nafta ao preço dos produtos, em períodos de alta volatilidade do preço da nafta em dólares ou da taxa de câmbio real/dólar, existe uma defasagem entre a data do aumento do preço da nafta em dólares ou da desvalorização do real frente ao dólar e a data na qual podemos efetivamente repassar tal aumento de custo em reais a nossos clientes no Brasil. Assim, se houver um aumento brusco dos preços da nafta em dólares ou uma desvalorização brusca do real frente ao dólar, como ocorreu no quarto trimestre de 2008 e no terceiro trimestre de 2011, é possível que não possamos repassar imediatamente todos os correspondentes custos com nafta aos clientes no Brasil, o que provavelmente reduziria nossa margem bruta e nosso lucro líquido.

O eventual rebaixamento na classificação da Companhia ou de seus títulos de dívida provavelmente resultaria em aumentos das taxas de juros e de outras despesas financeiras relacionadas aos empréstimos e títulos de dívida, podendo reduzir sua liquidez.

A Standard & Poor’s, a Moody’s e a Fitch, atribuem classificações à Companhia e seus títulos de dívida. Atualmente, a Standard and Poor’s, a Moody’s e a Fitch atribuem classificações à Companhia em termos locais e globais. Em termos globais, a classificação atribuída em moeda local para a Companhia pela Standard & Poor’s é ―BBB (estável)‖ e em moeda estrangeira, ―BBB (estável)‖; a da Moody’s em moeda local é ―Baa3 (estável)‖ e em moeda estrangeira, ―Baa3 (estável)‖; a da Fitch em moeda local é ―BBB-/Stable Outlook‖ e em moeda estrangeira, ―BBB-/Stable Outlook‖. Qualquer decisão dessas ou de outras agências de classificação de rebaixar as classificações da Companhia e seus títulos de dívida no futuro teria como provável resultado o aumento das taxas de juros e outras despesas financeiras relacionadas aos empréstimos e títulos de dívida, podendo reduzir expressivamente a capacidade de captação de recursos da Companhia em condições satisfatórias ou nos valores necessários para assegurar sua liquidez.

A Companhia pode fazer aquisições significativas que, se não totalmente integradas, poderão afetar negativamente o resultado operacional.

Aquisições envolvem riscos, entre os quais:

- a empresa adquirida pode não alcançar os resultados esperados;

- pode não ser possível conservar ou contratar pessoas essenciais das empresas adquiridas;

- pode não ser possível obter as sinergias e/ou economias de escala esperadas;

- pode haver passivos não previstos; e

- pode haver implicações de defesa da concorrência.

Se não houver possibilidade de integrar ou administrar com êxito as empresas adquiridas, é possível que não se concretizem as previsões de economias de custos, crescimento da receita e níveis de integração, o que poderia resultar em diminuição da rentabilidade ou prejuízos operacionais.

A Companhia pode enfrentar dificuldades não previstas na implantação de seus projetos de expansão de joint ventures, em função do que tais projetos poderiam deixar de proporcionar os benefícios esperados para a Companhia.

Estão em andamento diversos projetos de expansão no México, na Venezuela e no Peru em conjunto com parceiros locais de joint ventures. O Projeto Etileno XXI no México está em seu nível mais avançado de implantação. Caso qualquer um desses projetos tiver prosseguimento, sua implantação exigirá significativos investimentos de capital pelas joint ventures. A possibilidade de a Companhia atingir seus objetivos estratégicos em relação a esses projetos dependerá, em grande parte, da implantação bem-sucedida, tempestiva e eficaz em termos de custos de tais projetos. Estes são fatores que poderiam afetar essa implantação:

- o resultado das negociações com os parceiros locais de joint ventures, governos, fornecedores, clientes ou outros (incluindo, por exemplo, a capacidade de negociar prazos de longo prazo favoráveis com fornecedores e clientes, ou o desenvolvimento de mercados à vista confiáveis, que podem ser necessários para respaldar o financiamento e o desenvolvimento de determinados projetos);

- condições de mercado capazes de afetar negativamente a capacidade das joint ventures de captar os financiamentos necessários para a implantação dos projetos;

- dificuldades na obtenção das licenças requeridas ou no cumprimento das regulamentações aplicáveis;

- ocorrência de dificuldades técnicas imprevistas (entre elas problemas técnicos que podem atrasar a entrada em funcionamento ou interromper a produção de um projeto ou resultar em tempo parado inesperado das unidades dessas joint ventures);

- atrasos na entrega de equipamentos ou serviços de terceiros pelos fornecedores das joint ventures;

- a não conformidade dos equipamentos fornecidos por esses fornecedores com as capacidades esperadas; e

- atrasos decorrentes do fato de terceiros, fornecedores ou contratados não cumprirem suas obrigações de maneira tempestiva e eficaz do ponto de vista dos custos.

Embora a Administração acredite que as estimativas de custos e os calendários de implantação dos projetos das joint ventures sejam razoáveis, não se pode assegurar que os custos reais ou o prazo real exigido para finalizar a implantação dos projetos não superem substancialmente as atuais estimativas. Eventuais estouros significativos de custos ou atrasos poderiam prejudicar ou impedir a implantação do plano de negócios da Companhia em sua versão original e resultar em receitas e lucro líquido abaixo do esperado.

Os produtos que a Companhia fabrica estão sujeitos a risco de incêndio, explosões e outros perigos.

Nossas operações estão sujeitas a riscos, tais como incêndios, explosões e outros acidentes, associados à fabricação de produtos petroquímicos e ao armazenamento e transporte de insumos e produtos petroquímicos. Esses riscos podem acarretar danos pessoais e perda de vidas, graves danos ou destruição de imóveis e equipamentos e danos ambientais. Um acidente de grandes proporções em uma de nossas plantas ou instalações de armazenamento pode nos obrigar a suspender temporariamente nossas operações, resultando em altos custos de reparação e perda de receita líquida de vendas. Por exemplo, em maio de 2011, nossa unidade de cloro soda em Alagoas passou por um vazamento de cloro e ruptura de um equipamento, causado por um aumento anormal e imprevisível na concentração de tricloroamina gerada pelo processo de produção dessa planta. Como resultado do vazamento de cloro, aproximadamente 150 residentes locais foram examinados para verificar contaminação respiratória pelo pronto socorro do hospital local. Todos foram liberados dentro de 24 horas. A ruptura no equipamento resultou na hospitalização de cinco funcionários da Mills Estruturas e Serviços de Engenharia S.A. que trabalhavam na unidade, três dos quais tiverem alta do hospital no dia seguinte. Como consequência destes incidentes, nossa unidade de cloro soda foi temporariamente parada por aproximadamente duas semanas.

Apesar da cobertura de seguros em relação a danos causados por incêndio e lucros cessantes em razão de paradas ocasionadas por incêndio, explosão ou avarias elétricas, os proventos de tais seguros podem não estar disponíveis em tempo hábil ou ser insuficientes para cobrir todos os prejuízos em caso de sinistro.

O desfecho desfavorável de processos em curso pode diminuir a liquidez e afetar negativamente o desempenho e a situação financeira da Companhia.

A Companhia é e pode voltar a ser no futuro parte em numerosas disputas tributárias, cíveis e trabalhistas envolvendo, entre outros aspectos, reivindicações monetárias. Se forem proferidas decisões desfavoráveis em um ou mais desses processos, a Companhia poderá ter de pagar quantias substanciais. Para alguns desses processos, não foi constituída provisão no balanço patrimonial, ou foram constituídas provisões para parte dos montantes em questão, com base na avaliação da Administração e no parecer dos advogados quanto à probabilidade de êxito nesses processos.

Agitações trabalhistas podem afetar nossas operações significativa e negativamente.

Agitações trabalhistas em nossas plantas e instalações podem produzir um efeito negativo relevante em nossa condição financeira ou resultados operacionais. O acordo coletivo de trabalho entre a Braskem America e o United Steel, Paper & Forestry, Rubber, Manufacturing, Energy Allied-Industrial & Service Workers International Union (Sindicato Internacional dos Trabalhadores das Indústrias de Siderurgia, Papel e Florestas, Borracha, Manufatura, Energia e Indústrias e Serviços Relacionados () relativo aos funcionários de sua planta de Neal, Virginia Ocidental, EUA, venceu em junho de 2010. Em agosto de 2010, os funcionários sindicalizados dessa planta entraram em greve e, durante esse período, a planta foi operada sob a supervisão da Administração. Em maio de 2011, a Braskem America assinou um novo acordo coletivo com esse sindicato para cobrir os funcionários sindicalizados dessa planta, com vencimento em maio de 2015. Embora a Companhia acredite que mantenha um bom relacionamento com seus funcionários, ações trabalhistas futuras, inclusive greves, podem ter um impacto negativo substancial em seu desempenho financeiro.

As condições econômicas e políticas do país, bem como as políticas econômicas e outras políticas do governo brasileiro, podem afetar negativamente a demanda pelos produtos da Companhia, assim como a receita líquida de vendas e o desempenho financeiro em geral.

A economia brasileira tem sido caracterizada por intervenção frequente e por vezes ampla do governo brasileiro, bem como por ciclos econômicos instáveis. O governo brasileiro, com frequência, altera as políticas monetária, tributária, creditícia, tarifária e outras com o fim de influenciar o curso da economia do Brasil. As medidas tomadas pelo governo brasileiro visando controlar a inflação e implementar outras políticas já incluíram controles de salários e preços, bloqueio do acesso a contas bancárias, imposição de controles de capital e limitações às importações.

Nossos resultados operacionais e nossa situação financeira e patrimonial podem ser negativamente afetados por fatores tais como:

- flutuações nas taxas de câmbio;

- políticas de controle cambial;

- taxas de juros;

- inflação;

- políticas tributárias;

- expansão ou contração da economia brasileira, medida pelas taxas de crescimento do PIB;

- liquidez nos mercados financeiros e creditícios internos; e

- outros acontecimentos políticos, diplomáticos, sociais e econômicos no Brasil ou que afetem o país.

A incerteza acerca do fato de possíveis mudanças em políticas ou normas afetarem estes ou outros fatores pode contribuir para as incertezas econômicas no Brasil e para intensificar a volatilidade nos mercados acionários brasileiros e nos valores mobiliários emitidos no exterior por emissores brasileiros. A presidente do Brasil tem poderes consideráveis para determinar políticas e atos governamentais relativos à economia do país e que, desta forma, afetam as operações e o desempenho financeiro das empresas. Embora não acreditemos que a atual presidente Dilma Rousseff irá alterar significativamente as políticas adotadas atualmente, não podemos garantir que as políticas que poderiam ser implantadas pela União e pelos governos estaduais não irão afetar negativamente os negócios da Companhia, os resultados de suas operações e sua situação financeira.

Alguns dos acionistas podem determinar o resultado de atos ou decisões societários, o que pode afetar os detentores de ações da Companhia.

A companhia Odebrecht S.A. (Odebrecht), direta e indiretamente, através de sua subsidiária integral Odebrecht Serviços e Participações S.A. (OSP) detém 38,1% do capital social em circulação da Companhia, incluindo 50,1% do capital votante. Pessoas indicadas pela Odebrecht constituem a maioria dos membros do conselho de administração da Companhia.

De acordo com o acordo de acionistas, do qual a OSP e a Petrobras são partes, aqui designado Acordo de Acionistas da Petrobras, a Companhia concordou em praticar determinados atos somente após a Odebrecht e a Petrobras chegarem a um consenso com relação a eles, e que a Odebrecht terá o poder exclusivo de aprovar o Plano de Negócios da Companhia. Desta forma, a Odebrecht terá a possibilidade de determinar o resultado da maioria dos atos e decisões societárias que requerem a aprovação dos acionistas ou do conselho de administração – em alguns casos, com a anuência da Petrobras — o que poderia afetar os detentores de ações preferenciais classe A e American Depositary Receipts, ou ADRs.

Pode haver conflitos de interesses nas operações com partes relacionadas.

A Companhia tem contas a receber de clientes e contas a pagar correntes e de longo prazo com algumas de suas afiliadas e outras partes relacionadas, entre elas a Petrobras, sua única fornecedora interna de nafta. A Petrobras detém 36% das ações em circulação da Companhia, e 47% de seu capital votante. Os referidos saldos de contas a receber e a pagar são provenientes, sobretudo, da compra e venda de bens, a preços e em condições equivalentes às condições e preços médios pagos das operações que realizamos com terceiros, exceto pelos preços que pagamos em nossos contratos para compra de nafta da Petrobras, que, na opinião da Administração, são mais adequados aos produtos recebidos da Petrobras em comparação com os produtos e preços praticados em operações realizadas com outros terceiros. A Companhia também realiza operações financeiras e outras com alguns de seus acionistas diretos e indiretos. Essas e outras operações comerciais e financeiras entre a Companhia e suas afiliadas poderiam dar margem a conflitos de interesses.

A Companhia depende da Petrobras para o fornecimento de uma parcela significativa de suas necessidades de nafta, etano e propano

A Petrobras é a única fornecedora de nafta no Brasil, e tem historicamente fornecido cerca de 70% da nafta consumida por nossa Unidade de Insumos Básicos. A Petrobras produz a maior parte da nafta que vende para a Braskem e importa o restante. Além disso, a empresa também é a única fornecedora atual de etano e propano e fornece todo o etano e o propano consumido por nossa subsidiária Rio Polímeros S.A. (RioPol), que opera o polo petroquímico localizado em Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro, ou o Polo do Rio de Janeiro.

O volume de produção e as receitas de vendas da Companhia provavelmente cairiam, e o desempenho financeiro em geral seria afetado negativamente, nas seguintes hipóteses:

- danos significativos às refinarias da Petrobras ou às instalações portuárias por meio das quais a Petrobras importa nafta, ou a quaisquer dos dutos que ligam a Companhia às instalações da Petrobras, seja em consequência de acidente, desastre natural, incêndio ou por outro motivo qualquer;

- a eventual rescisão, pela Petrobras, dos contratos de fornecimento de nafta, eteno ou propeno à Companhia.

Adicionalmente, apesar de alterações regulatórias terem extinguido o monopólio da Petrobras no mercado brasileiro de nafta, o que permitiu à Companhia importar nafta, qualquer revés na continuidade do processo de desregulamentação da indústria de óleo e gás no Brasil pode aumentar os custos de produção.

As Unidades de Poliolefinas e de Vinílicos dependem das plantas de insumos básicos da Companhia para o fornecimento de suas necessidades de eteno e propeno.

A Unidade de Insumos Básicos é a única fornecedora de eteno à Unidade de Vinílicos, a única fornecedora de eteno às plantas da Unidade de Poliolefinas, e a principal fornecedora de propeno às plantas de polipropileno de nossa Unidade de Poliolefinas. Como o custo de armazenamento de eteno e propeno é significativo e não existe no Brasil infraestrutura adequada que possibilite a importação de grandes volumes desses produtos, nossas plantas de poliolefinas e nossa Unidade de Vinílicos dependem grandemente do eteno e do propeno fornecidos por nossas plantas de insumos básicos. Seus volumes de produção e receita líquida de vendas proveniente das vendas de produtos vinílicos e de poliolefinas diminuiriam e seu desempenho como um todo seria negativamente afetado nas seguintes hipóteses:

- eventuais danos significativos às instalações de nossa Unidade de Insumos Básicos por meio das quais é produzido eteno ou propeno, ou ao duto ou outras instalações que conectam nossas plantas de vinílicos e poliolefinas às nossas plantas de insumos básicos, seja em consequência de acidente, desastre natural, incêndio ou outro motivo;

- eventuais reduções significativas do fornecimento de nafta à Unidade de Insumos Básicos, tendo em vista que a nafta é a principal matéria-prima utilizada por nossa Unidade de Insumos Básicos na produção de eteno e propeno; ou

- eventuais reduções significativas no fornecimento de eteno ou propeno à subsidiária RioPol, tendo em vista que o eteno e o propeno são as principais matérias-primas usadas pela RioPol na produção de eteno e propeno.

A Companhia depende da Petrobras para uma parcela significativa do propeno que utiliza no Brasil para a produção de polipropileno.

Em 2011, 43,4% do propeno utilizado por nossa planta de poliolefinas foi fornecida pela Petrobras. Como o custo da armazenagem e do transporte do propeno é substancial e o Brasil não possui infraestrutura adequada para permitir a importação de grandes quantidades desses produtos, a Companhia é dependente do propeno fornecido pela Petrobras, e os volumes de produção e a receita líquida de vendas dos produtos de polipropileno poderiam cair, com impacto significativo no desempenho financeiro. Em geral esse cenário poderia ocorrer nas seguintes hipóteses:

- eventuais danos significativos às refinarias da Petrobras ou a quaisquer das tubulações que conectam nossas plantas de polipropileno às instalações da Petrobras, seja em consequência de acidentes, desastres naturais, incêndio ou outro motivo; ou

- rescisão, pela Petrobras, dos contratos de fornecimento para a Companhia.

As medidas de combate à inflação tomadas pelo governo brasileiro poderão contribuir de forma significativa para a incerteza econômica no Brasil e poderão reduzir a demanda dos produtos da Companhia.

Historicamente, o Brasil apresentou altas taxas de inflação. A inflação, bem como os esforços do governo para combatê-la, acarretou efeitos negativos significativos sobre a economia brasileira, especialmente antes de 1995. A taxa de inflação medida pelo Índice Geral de Preços—Disponibilidade Interna (IGP-DI) alcançou 2.708% em 1993. Embora as taxas de inflação tenham sido substancialmente menores a partir de 1994 do que em períodos anteriores, as pressões inflacionárias persistem. As taxas de inflação foram de 7,9% em 2007, 9,1% em 2008, (1,4%) em 2009, 11,3% em 2010 e 5,0% em 2011, conforme apurado pelo IGPDI.

As medidas de combate à inflação, adotadas pelo governo brasileiro, muitas vezes incluíram a manutenção de uma política monetária rigorosa com altas taxas de juros, causando restrição à disponibilidade de crédito e redução na taxa de crescimento econômico. A inflação, as medidas para combatê-la e a especulação pública acerca de possíveis medidas futuras também podem contribuir de forma relevante para a incerteza econômica no Brasil e para o aumento da volatilidade no mercado brasileiro de valores mobiliários.

O Brasil poderá voltar a apresentar níveis elevados de inflação no futuro. Fatores como a elevação dos preços do petróleo, a depreciação do real e medidas governamentais futuras, buscando a manutenção do valor do real em relação ao dólar, poderão acarretar aumento da inflação brasileira. Períodos de inflação mais alta poderão fazer diminuir a taxa de crescimento da economia brasileira, o que levaria a uma redução da demanda dos produtos da Companhia no Brasil e de suas receitas líquidas de vendas. Também é provável que a inflação aumente alguns dos custos e despesas da Companhia, que talvez não possam ser repassados aos consumidores, o que resultaria em diminuição da margem de lucro e do lucro líquido. Ademais, inflação alta, em geral, acarreta taxas de juros internas mais elevadas, e em consequência, os custos do serviço da dívida da Companhia em reais poderão aumentar, causando a redução do lucro líquido. A inflação e seu efeito sobre as taxas de juros internas podem, além disso, levar à redução da liquidez nos mercados internos de capitais e crédito, o que poderia prejudicar a capacidade da Companhia de refinanciar sua dívida nesses mercados. A eventual diminuição da receita líquida de vendas ou do lucro líquido da Companhia ou a eventual deterioração de sua situação financeira provavelmente acarretariam a diminuição do preço de mercado de suas ações preferenciais classe A e ADRs.

A natureza cíclica do setor petroquímico pode reduzir a receita líquida da Companhia e sua margem bruta.

A indústria petroquímica, incluindo os mercados em que a Braskem atua, é cíclica e sensível a mudanças na oferta e demanda no Brasil e no mundo. Essa natureza cíclica pode reduzir nossa receita líquida de vendas e nossa margem bruta, inclusive pelas seguintes razões:

- desaquecimentos nos negócios e na atividade econômica em geral podem causar diminuição da demanda por nossos produtos;

- com a queda da demanda, pode haver pressões competitivas para baixar preços; e

- se decidirmos ampliar nossas fábricas ou construir novas instalações, podemos fazê-lo com base na estimativa de uma demanda futura que talvez não se concretize ou se concretize em níveis abaixo do previsto.

Historicamente, os mercados internacionais de produtos petroquímicos passaram por períodos alternados de oferta limitada, o que acarretou aumento dos preços e margens de lucro, seguidos por expansão na capacidade de produção, resultando em excesso de oferta e diminuição dos preços e margens de lucro. Os preços no setor petroquímico brasileiro seguem o setor petroquímico mundial e os preços dos produtos da Braskem vendidos no Brasil são fixados tomando por referência os preços dos mercados internacionais. Nossa receita líquida de vendas e nossa margem bruta estão cada vez mais vinculadas a condições da indústria global, sobre as quais não temos controle, na medida em que a demanda mundial e interna por petroquímicos está fortemente relacionada ao crescimento econômico.

Diversas empresas petroquímicas anunciaram planos de construir capacidade adicional de eteno, principalmente na Ásia e no Oriente Médio. Segundo a Information Handling Services (―IHS‖), 25,5 milhões de toneladas de capacidade anual de eteno estão programadas para serem ativadas entre 2012 e 2016.

Esperamos que o aumento de capacidade no mercado petroquímico global leve a uma pressão de preços no curto prazo. Com base no crescimento histórico da demanda por polietileno, polipropileno e PVC, acreditamos que a capacidade adicional introduzida no mercado em 2011 e 2010 e que se espera que seja introduzida durante os próximos anos será absorvida pelo mercado no médio prazo. Entretanto, no curto prazo, esperamos que a produção gerada por esse aumento em capacidade possa levar a uma pressão contínua sobre os preços nos mercados internacionais e em um aumento na concorrência de importados nos mercados brasileiros, que poderiam afetar negativamente nossas receitas de vendas, margens brutas e resultados operacionais em geral.

Novas reservas de gás natural na América do Norte podem levar a uma redução nos preços globais de polietileno, o que reduziria a margem bruta da Companhia, causando um impacto negativo em nosso desempenho financeiro geral.

Durante os últimos anos, o uso de etano obtido a partir de gás natural como matéria-prima para a produção de eteno aumentou, devido à diferença entre o custo do gás natural e do petróleo (de onde se obtém a nafta e condensados). As reservas de gás natural aumentaram, especialmente na América do Norte, conforme observou-se uma evolução na tecnologia de extração desse gás. A fim de aumentar sua competitividade global, a maior parte dos produtores de eteno nos Estados Unidos, que possuem a flexibilidade de utilizarem etano como matéria-prima, converteram suas plantas para o uso de etano como matéria-prima. Segundo a IHS, espera-se que o mercado global de petroquímicos sinta o impacto total do aumento do uso de etano como matéria-prima na produção de eteno até 2018.

Como resultado dessas novas reservas de gás natural na América do Norte, (i) o gás natural voltou a ser uma alternativa de baixo custo para produtos derivados de petróleo, e (ii) a produção adicional de gás aumentou a pressão de preço sobre o etano. Caso essa tendência permaneça, novos concorrentes poderão surgir no mercado de eteno. Os produtores de polietileno na América do Norte têm se beneficiado da condição de baixo custo do preço do gás natural, e o aumento na competitividade de produtores de polietileno na América do norte pode causar uma redução no preço interno e internacional do polietileno, o que reduziria nossa margem bruta, causando um impacto negativo em nosso desempenho financeiro geral.

A atividade da Companhia está sujeita à rígida regulamentação ambiental, e a promulgação de novos regulamentos poderia exigir expressivos gastos de capital e aumento dos custos operacionais

Assim como outros produtores petroquímicos brasileiros, estamos sujeitos à rigorosa legislação e regulamentação ambiental brasileira, federal, estadual e municipal, relativas à saúde humana, ao manejo e descarte de resíduos sólidos e perigosos e às descargas de poluentes na atmosfera e na água. Os produtores petroquímicos ficam por vezes sujeitos a percepções desfavoráveis do mercado em consequência do impacto ambiental de seu negócio, o que pode ter um efeito adverso sobre seus resultados operacionais.

As operações nos Estados Unidos e na Alemanha que adquirimos da Dow Polipropileno assim como a aquisição da Sunoco Chemicals, estão sujeitas a um grande número de leis, regulamentos, normas e portarias federais, estaduais e locais daqueles países relativas à poluição, proteção do meio ambiente e geração, armazenamento, manuseio, transporte, tratamento, descarte e reparação de substâncias e resíduos perigosos. As leis e regulamentos ambientais dos Estados Unidos podem nos responsabilizar pela conduta de terceiros ou por atos que, quando praticados, não cumpriam os requisitos então aplicáveis, a despeito de negligência ou falha. São de particular importância nesse sentido (i) os programas reguladores a serem estabelecidos para implementar normas de qualidade do ar de acordo com as Normas Nacionais para a Qualidade do Ar Ambiente no tocante a ozônio e partículas finas, promulgadas pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos e (ii) várias medidas legislativas e reguladoras atualmente em fase de análise, discussão ou implementação nos Estados Unidos que versam sobre as emissões de gases do efeito estufa.

Os custos e investimentos de capital relativos a questões ambientais, de saúde ou segurança estão sujeitas a exigências reguladoras em evolução e dependem da época da promulgação e entrada em vigor das correspondentes normas específicas. Ademais, mudanças nos regulamentos ambientais poderiam inibir ou interromper nossas operações ou exigir modificações em suas instalações. Desta forma, questões ambientais, de saúde ou segurança podem resultar em custos ou passivos significativos e não previstos.

Futuros reajustes de tarifas sobre importações que concorrem com os produtos da Companhia poderiam forçar uma baixa em seus preços.

Atualmente, a Companhia se beneficia de tarifas impostas pelo governo brasileiro que lhe permitem cobrar preços internos de poliolefinas e vinílicos que incluem um fator baseado nas tarifas incidentes sobre importação de produtos comparáveis. No entanto, em outras ocasiões, o governo brasileiro já usou tarifas de importação e exportação como instrumento de políticas econômicas, razão pela qual as tarifas podem variar consideravelmente, sobretudo aquelas incidentes sobre produtos petroquímicos. Em 2004, por exemplo, o governo baixou em 1,5% as tarifas da maioria dos produtos termoplásticos produzidos pela Companhia. Futuras alterações de tarifas poderiam causar um aumento na concorrência por parte de importados e levar a Companhia a baixar seus preços no mercado interno, o que provavelmente resultaria em diminuição da receita líquida de vendas e poderia afetar negativamente o desempenho financeiro como um todo.

Historicamente, as taxas sobre importações são estabelecidas pelo governo federal. No entanto, nos últimos anos, cinco estados brasileiros estabeleceram benefícios fiscais a fim de atrair importações para portos locais visando o aumento da receita e desenvolvimento de tais portos. Líderes do setor e de associações trabalhistas alegam que tais leis criam subsídios para produtos importados, o que prejudicaria a indústria brasileira e passaram a questionar tais incentivos. Existem atualmente 13 ações pendentes no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade de tais benefícios fiscais. O governo federal priorizou a eliminação de (i) incentivos para importados em portos locais, e (ii) a capacidade dos estados de oferecer incentivos fiscais a fim de atrair operações de importação através da redução das taxas interestaduais do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), o imposto sobre valor adicionado estadual sobre bens e serviços. O Senado ainda discute uma medida de redução da alíquota do ICMS para importados de 12% para 4%, a qual deve ser votada no segundo trimestre de 2012.

Fatores macroeconômicos globais têm produzido, e podem continuar a produzir, efeitos negativos sobre as margens que colocamos em nossos produtos.

A desaceleração econômica global que teve início em setembro de 2008 teve um efeito negativo no crescimento econômico brasileiro e tem produzido, e poderá continuar a ter, um efeito adverso sobre o crescimento econômico nos países para os quais exportamos nossos produtos. A crise de dívida soberana na Europa causou um impacto negativo no sistema financeiro mundial no segundo semestre de 2011, o que levou à redução na demanda por petroquímicos. Em 2011, a economia brasileira apresentou crescimento moderado, registrando crescimento de 2,7% do PIB, comparado a 7,5% em 2010. A demanda por resinas termoplásticas permaneceu relativamente estável em 2011.

Persiste a incerteza com relação ao ritmo de recuperação da economia global. Apesar dos sinais de melhoria nos Estados Unidos, a potencial piora na crise de dívida soberana na Europa, particularmente na Grécia, Espanha, Itália, Irlanda e Portugal, resultaram na intensificação das incertezas quanto à recuperação econômica na região. Adicionalmente, a agitação social, as mudanças nos regimes políticos e as ações militares no Oriente Médio, sanções e outras ações relativas ao Irã, ou eventos semelhantes que possam ocorrer no futuro podem levar a efeitos imprevisíveis sobre a economia global ou as economias das regiões afetadas.

Acreditamos que a contínua crise na economia global, combinada ao aumento da capacidade global da indústria petroquímica, pode levar à queda na lucratividade do setor petroquímico mundial e, consequentemente, a margens menores dos nossos produtos. Adicionalmente, quebras no equilíbrio global entre demanda e oferta podem prejudicar nossa habilidade de exportar nossos produtos em razão de uma queda na demanda interna por esses produtos. Uma desaceleração prolongada da atividade econômica em nossos principais mercados de exportação pode continuar a reduzir a demanda por alguns de nossos produtos e levar a maiores pressões de preços por importadores brasileiros, o que pode afetar negativamente nossos resultados operacionais.